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terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Tom Jobim completaria 84 anos nesta terça

Tom Jobim completaria 84 anos nesta terça, com 17 de saudade
25 de janeiro de 2011
Se estivesse vivo, Tom Jobim completaria 84 anos nesta terça-feira (25)
Divulgação

GABRIEL PERLINE, do Terra
As eternas Águas de Março nasceram de suas mãos, mas não com ele. No dia 25 de janeiro de 1927, às 23h15, sob uma forte tempestade na Tijuca, veio ao mundo o primeiro rebento do casal Jorge Jobim e Nilza Brasileiro de Almeida, que viria a se tornar um dos maiores ícones da música nacional: Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, ou simplesmente Tom Jobim.
Aquariano com ascendente em libra, signos ligados ao ar, assim como os seres alados que admirava, Tom era também do signo de gato no horóscopo chinês, o que talvez possa explicar seus constantes deslocamentos, mudanças e quebras de ritmos em sua vida. Uma delas foi assistir a separação dos pais, em seguida suportar a perda do pai e o ganho de um padrasto, Celso Frota Pessoa, a quem o músico atribuiu a função paterna até o fim de sua vida. O apelido, Tom, foi dado por Isaura, sua irmã mais nova.
O gosto pela música se manifestou ainda na infância. Ele parava em frente ao mar, praças e lagoas para contemplar os lugares. A música "acontecia" em sua cabeça naqueles momentos. Seu primeiro contato com um instrumento musical foi o piano, mas ele relutou a princípio, pois considerava coisa de menina.
Ao se aproximar e dedilhar o teclado com certa cautela, a paixão lhe tomou conta e ele se sentiu fisgado pela musicalidade proposta pelo instrumento. A partir dele, vieram as aulas para estudar flauta, violão e harmônica de boca. Ele chegou a formar uma dupla com Newton Mendonça, gaitista cuja ribalta era a praça General Osório, em Ipanema.
A música lhe surgiu como trabalho quando decidiu se casar com Thereza Otero Hermanny. Antes, tentou seguir na carreira de arquiteto, por considerar mais segura, mas foi infeliz em sua tentativa, e foi convidado para trabalhar na Rádio Clube, em Petrópolis, em 1949, como pianista. Para aumentar a renda, fazia bicos em casas noturnas, que passaram a ser mais rentáveis e o fizeram deixar a emissora.
Percebendo que a vida noturna não lhe garantiria um futuro, obteve a ajuda do padrasto para se aperfeiçoar na música. Tom fez importantes contatos ao longo dos anos, trabalhou na Editora Euterpe escrevendo arranjos para pequenos conjuntos e caiu nas graças de Radamés Gnatalli, pianista, regente e compositor, que o adotou como afilhado musical.
Em 1953, Tom estreou seu disco como compositor, com o samba-canção Incerteza, feito em parceria com Newton Mendonça e gravado por Mauricy Moura. No dia em que completou 28 anos foi convidado para participar do programa Quando os Maestros se Encontram, da Rádio Nacional, e apresentou a peça sinfônica Lenda, de sua autoria, dedicada à memória do pai. Essa música nunca foi gravada por Tom Jobim.
Após inúmeras parcerias de sucesso, enfim, o esperado reconhecimento: Tom entrou na lista dos melhores arranjadores da temporada, apontados pelo crítico Ary Vasconcellos, dividindo a segunda colocação com Pixinguinha e Renato de Oliveira.
Em 1956, nasceu uma das amizades mais ricas para a cultura nacional. Vinícius de Moraes buscava um parceiro para compor uma música de uma ópera negra carioca e lhe apresentaram Tom Jobim. Dos encontros embrionários, clássicos foram produzidos: Se Todos Fossem Iguais a Você, Mulher Sempre Mulher, Um Nome de Mulher, Eu e Meu Amor e Lamento do Morro. A peça Orfeu da Conceição estreou no Theatro Municipal do Rio em 25 de setembro de 1956 e permaneceu até o dia 30, com os ingressos de todas as apresentações esgotados.
A dupla Tom & Vinícius foi apresentada a outros intérpretes, que gravaram discos com músicas compostas exclusivamente por eles, como Elizeth Cardoso, que a princípio torceu o nariz para a ideia. As cantoras Lenita Bruno e Silvinha Telles gravaram LPs com músicas compostas somente por Jobim, mas nenhuma delas fizeram tanto sucesso quanto o disco Chega de Saudade, de João Gilberto, que marcou o nascimento da Bossa Nova. Ary Barroso, resistente ao novo gênero musical, acabou dando o braço a torcer ao talento do percussor em um programa de TV. "Tom Jobim é, disparado, o melhor de todos os novos compositores brasileiros".
Jobim compôs trilhas musicais para peças teatrais e filmes. Chegou a se arriscar na TV em 1959, fazendo as honras semanalmente no programa O Bom Tom, na TV Paulista. Foi seduzido pelo cinema e os fãs puderam conhecer a faceta ator de Tom Jobim no longa italiano Copacabana Palace, gravado no Rio de Janeiro.

Somente em 1962 Tom Jobim voltara a fazer shows. Intitulado Encontro, nome propício para o espetáculo promovido por ele, Vinícius, João Gilberto e o conjunto vocal Os Cariocas, nasceram cinco dos maiores clássicos da Bossa Nova: Só Danço Samba, Samba do Avião, Samba da Benção, O Astronauta e Garota de Ipanema.
O ritmo tomou conta dos Estados Unidos e a apresentação oficial aos "gringos" aconteceu oficialmente no dia 21 de novembro de 1962, no Carnegie Hall, em Nova York, promovido pelo consulado brasileiro e Sidney Frey, dono da gravadora Audio Fidelity. Tom se mostrou resistente devido à má organização e só chegou ao país no dia do concerto. Chegou a fazer shows nas terras do Tio Sam, elogiado pelos críticos locais, mas não ganhou dinheiro. Por insistência de sua mulher, Thereza, abriu a editora Corcovado Music. Gravou seu primeiro disco americano, o instrumental Antonio Carlos Jobim - The Composer of Desafinado Plays.
Em meados de 1963, Tom fez algo inédito em sua carreira: gravou um disco como cantor em parceria com Dorival Caymmi e os filhos do compositor baiano, Danilo, Nana e Dori, intitulado Caymmi Visita Tom. No final de 1964, novos reconhecimentos por seu sucesso. Jobim foi consagrado com três Grammys: pela autoria deDesafinado e Garota de Ipanema e pelos arranjos de Brazil's Brilliant João Gilberto.
Quando pensou que seu trabalho já havia atingido o topo do reconhecimento, o clássico chope com os amigos foi interrompido com um telefonema inesperado. Frank Sinatra, "The Voice", o procurou para gravar um disco somente com músicas de sua autoria. O "sim" foi instantâneo e em 1967, após uma crise conjugal do astro americano, o trabalho foi iniciado com duas músicas inéditas, Wave e Triste. O álbum Albert Francis Sinatra & Antonio Carlos Jobim foi muito elogiado pela crítica americana e sucesso de vendas, perdendo apenas paraSgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band, dos Beatles. Desta parceria nasceu uma amizade e com ela um segundo trabalho, o Sinatra & Company. A NBC, em setembro de 1967, fez uma homenagem a Sinatra e não deixou de convidar o brasileiro. O americano abriu a atração cantando Corcovado.
Em 1977, Tom Se separou de Thereza após se apaixonar pela fotógrafa Ana Beatriz Lontra, de 19 anos, época em que gravou Urubu. A moça deu um toque de juventude na vida do músico, que passou a se sentir mais estimulado ao trabalho e compôs novos sucessos em curto tempo. Durante uma lua-de-mel do casal, as pérolas Você Vai Ver, Falando de Amor e a versão em inglês de Águas de Março nasceram.
No dia 15 de março de 1989 celebrou-se o jubileu de prata da gravação de Garota de Ipanema no Carnegie Hall com a presença de Jobim. Em 25 anos, a música ultrapassara 3 milhões de execuções em emissores de rádio e televisão, fazendo do músico o segundo estrangeiro mais executado nos Estados Unidos. Apesar de ter perdido três pessoas de grande estima na década de 80 (Vinicius, em julho de 1980, D. Nilza, em novembro de 1989, e tio Marcelo algumas semanas depois), o período se encerrou de forma positiva para ele. Os anos seguintes seriam dedicados a shows no Brasil e no exterior, pois todos faziam questão de ouvir a pai da Bossa Nova.
Em 1993, Tom Jobim recebeu uma espécie de tributo à sua obra, com participação de Herbie Hancock, Shirley Horn, Ron Carter, Joe Henderson, Gonzalo Rubalcaba, Jon Hendricks, Gal Costa e Oscar Castro Neves. Deste encontro, o novo e último disco Antonio Brasileiro, com participações especiais de Dorival Caymmi e Sting. O disco só foi lançado em novembro de 1994 e até a data Tom subiu aos palcos somente mais três vezes.
No dia 15 de setembro, jobim viajou até Nova York para se submeter a uma angioplastia e descobrir o real estado de seu sistema circulatório. Em um dos diversos exames, descobriu-se um tumor maligno na bexiga e marcou uma cirurgia para o dia 6 de dezembro, no Mount Sinai Medical Center. No dia 8, enquanto se recuperava da cirurgia, sofreu uma parada cardíaca provocada por uma embolia pulmonar, causando-lhe a morte.
O corpo de Tom Jobim desembarcou no Rio de Janeiro no dia 9 e foi velado no Jardim Botânico e levado para o cemitério de São João Batista, após desfilar em cortejo pelo Rio de Janeiro.
Fonte: Terra
Tema de diversas novelas da tv "Insensatez":

domingo, 23 de janeiro de 2011

Veja cena de "Dancin' Days" de 1978


Na novela "Dancin' Days" de Gilberto Braga, era natal em 1978 e a grã-fina falida Yolanda Pratini (Joana Fomm) curtia solidão, que só não era total pela fiel presença do mordomo Everaldo (o saudoso Renato Pedrosa).
Dancin' Days foi uma telenovela brasileira, produzida e exibida pela Rede Globo de 10 de julho de 1978 a 27 de janeiro de 1979, às 20 horas. Foi escrita por Gilberto Braga e dirigida por Daniel Filho, Gonzaga Blota, Dênis Carvalho, Marcos Paulo e José Carlos Pieri, tendo contado com 173 capítulos.
Escrita por Gilberto Braga, a trama foi ao ar pela primeira vez no dia 10 de julho de 1978, às 20h e virou febre na época. Narrava a história da ex-presidiária Júlia Matos (Sônia Braga), que após deixar a cadeia, tentava reconquistar o amor da filha Marisa (Glória Pires), criada por Yolanda (Joana Fomm), irmã mais velha de Júlia.
Em meio à disputa familiar, havia a fictícia discoteca Frenetic Dancin’Days, onde se desenrolaram diversas histórias e cenas marcantes, como uma em que a personagem Júlia se acabava na pista de dança. A danceteria foi inspirada na boate Frenetic Dancing Days Discothéque, do produtor musical Nelson Motta, que existia no Rio de Janeiro.

TV Globo
O próprio autor Gilberto Braga chegou a fazer uma participação especial na novela. “Eu apareci na inauguração da primeira discoteca de Yolanda e Horácio (José Lewgoy), cumprimentando o Milton Moraes, que era o RP e depois dançando com a Joana”, lembra.
Mas o que a trama tem de tão especial que a faz ser sucesso até hoje, 30 anos depois? “Acho que a novidade foi um temperamento novo. Eu escrevia de uma forma diferente da Janete Clair e do Lauro César Muniz, na época os craques das oito”, diz Braga.
Para o especialista em novelas Mauro Alencar, há outros ingredientes que fizeram a saga cair no gosto popular. “Dancin’ Days é um folhetim de primeira, centrado na briga de duas irmãs pelo amor de uma jovem. Praticamente foi uma das primeiras novelas a ter casais românticos e com faixas de idades variadas. A diferença de classes também foi muito bem contada por Gilberto Braga”.
Autor do livro A Hollywood Brasileira, Alencar lembra que tinha 16 anos quando Dancin’ Days foi exibida e conta que a novela marcou época. “O Brasil vivia ainda um período de transformação e a novela trouxe juventude para o país, que queria seguir as tendências de moda norte-americanas”.
TV Globo
Marília Carneiro foi a responsável pelo figurino da trama. É dela o mérito de combinar meias soquetes coloridíssimas de lurex com sandálias de salto agulha, eternizadas nos pés da atriz Sônia Braga. As roupas de cetim usadas pela personagem também fizeram a cabeça das mulheres. “Enquanto Júlia Matos foi a cereja do bolo lançando moda, Yolanda era imitada por seu comportamento sofisticado. O papel impulsionou a carreira de Joana Fomm”, analisa Alencar.
Curiosamente, o papel de Yolanda inicialmente pertencia à atriz Norma Bengell. Ela chegou a gravar algumas cenas, mas se desentendeu com o diretor Daniel Filho e foi cortada do elenco, sendo substituída às pressas por Joana Fomm. “Na época lançaram um disco com a trilha sonora que trazia Norma Bengell na capa. Aliás, uma coisa que me marcou é que o disco foi posto à venda um mês antes da novela estrear. Foi a primeira vez que vi aquilo”, diz Alencar.
Outra personagem que lançou modismo foi Carminha. Vivida por Pepita Rodrigues, ela andava com uma boneca debaixo do braço. “Uma empresa lançou a boneca Pepa e vendeu milhares de unidades”, diz Alencar. Sucesso no Brasil e no mundo, "Dancin’ Days" foi vendida para mais de 40 países. 

Da  Revista Quem
Aqui cena com Pepita Rodrigues, Milton Moraes e Gracinda Freire. 


"Dancing Days"

Sucesso em 1978, “Dancin’ Days”, transformou em hit não só com a música-tema, interpretada pelas Frenéticas , mas toda a atmosfera vibrante e colorida que foi para a história das novelas brasileiras. Do cabelo à maquiagem, passando pelo figurino "discotheque", a inesquecível personagem Júlia Mattos, encarnada por Sônia Braga, lançava moda a cada capítulo. Maior símbolo dos “dias dançantes”, as meias ultracoloridas de lurex usadas com sandálias de salto alto foram febre nas pistas e acabou sendo a capa do disco na trilha sonora internacional que trazia grandes sucessos dançantes da época, que são relembrados até hoje. A novela foi inspirada na boate de mesmo nome comandada por Nelson Motta no bairro da Gávea, que virou point de badalação no Rio de Janeiro no final dos anos 70. A trama também reuniu nomes como Joana Fomm, Antônio Fagundes e Glória Pires. Além de emplacar a moda colorida e brilhante, a novela influenciou o comportamento do público, que se deparou na tela com temas típicos da classe média da época, como casamentos sem perspectiva e mulheres que tentavam defender seu espaço.
Fonte: http://www.teledramaturgia.com.br/

Par de meias foi sucesso na época;

Capa da trilha sonora internacional;
Abertura da novela;
Cena da novela;


04.08.1978 - Arquivo O Globo - TV Exclusivo - 
Novela Dancing Days - Lídia Brondi e Lauro Corona.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Renata Sorrah celebra 'Vale tudo' e entrega: uísque de Heleninha era mate

Renata Sorrah celebra 'Vale tudo' e entrega: uísque de Heleninha era mate
Atriz fala sobre a volta da personagem alcoólatra que fez história na TV.

A atriz Renata Sorrah
A atriz Renata Sorrah. (Foto: Divulgação/TV Globo)
Renata Sorrah bem que tenta, mas não está conseguindo acompanhar a reprise de "Vale tudo" nas madrugadas do Canal Viva. A novela de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères, que foi ao ar em 1988, atualmente é a maior audiência da TV paga na faixa das 0h45 à 1h30.
"É um horário péssimo, muito tarde!", lamenta a atriz. "Mas sempre tem algum amigo que me liga pra comentar que viu uma cena bárbara. Adoro quando isso acontece!".
"Cena bárbara" foi o que não faltou para Renata na trama. Na pele de Heleninha Roitman, a atriz marcou história na teledramaturgia interpretando uma pintora alcoólatra, em sequências de porres que iam do drama, passavam pela comédia - ainda que incômoda - e voltavam ao drama.
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Em ano eleitoral, 'Vale tudo' volta à TV e atualiza debate sobre ética no Brasil
 Aos 63 anos, Renata comemora o sucesso do papel que considera seu "grande momento na televisão", ao lado da debochadíssima vilã Nazaré Tedesco, de "Senhora do destino" (2004). Mas ainda não pensa em voltar à novelas.
"Estou num momento bom de escolher o que fazer, mas no teatro. Estou lendo várias peças, algumas me interessam. É bem gostosa essa fase", diz a atriz, que entre uma leitura e outra, escapa do Rio para andar a cavalo em Teresópolis, onde tem um sítio.

Renata Sorrah
Renata Sorrah em cena de 'Vale tudo': o conteúdo da
garrafa era só mate, revela a atriz. (Foto: Divulgação)
Avessa às badalações, Renata relembra que na época de "Vale tudo" não podia passar em frente a um bar. "O pessoal gritava: 'aê, Heleninha, quer tomar uma?'. Do chofer de táxi ao executivo engravatado". Logo ela, que só gosta de um "vinhozinho com os amigos ou uma caipirinha no verão".
Mas a atriz encara brincadeiras com bom humor. Inclusive o fato de seguidores do Twitter clamarem pelos capítulos em que Heleninha se entrega à bebedeira. Confira na entrevista a seguir:
G1 - Nas redes sociais os internautas estão ansiosos pelas cenas mais fortes da Heleninha...
Renata - Pois é! Está todo mundo agoniado para ver a Heleninha de porre! (risos). Os autores tiveram o cuidado de não mostrar as cenas das bebedeiras logo de cara. No primeiro mês da novela aproveitei para me preparar bastante e fui a várias reuniões do AA. Naquela época a sociedade não encarava o alcoolismo como doença, era um tal de “ah, é só vício, é fácil de sair fora, basta querer...”. Lembro que conversei com um homem que estava há 20 anos sem beber e mesmo assim continuava indo às reuniões do AA. Ele me disse “minha senhora, a gente não fica bom nunca”. Foi por causa dele que aprendi a realidade dura do alcoolismo: quando você descobre que a bebida é mais forte, ela sempre vai te vencer. Então o alcoólatra não pode baixar a guarda nunca, tem que estar em tratamento constante. A novela mostrou muito bem isso. E sem parecer que era uma aula didática sobre alcoolismo, sabe?
G1 – Com jeito de merchandising social?
Renata – Isso! O bacana da Heleninha era o fato de não ser apenas a personagem alcoólatra da novela. Ela foi mostrada muito além disso. Era uma artista talentosa, uma mulher frágil, que se culpava pela morte do irmão, era preocupadíssima com o filho, sofria por ter uma relação horrenda com a mãe [a vilã Odete Roitman, vivida pela atriz Beatriz Segall]. Heleninha bebia sempre que surgia um problema sem solução aparente. Era uma coisa de desespero mesmo. E naquela época o alcoolismo da mulher era muito mais escondido, mais abafado. Nessas reuniões que frequentei do AA, tinham várias mulheres. Umas até muito elegantes, que diziam que primeiro começavam tropeçando no tapete de casa, depois era na sarjeta.
G1 – As cenas dos porres da Heleninha são bastante acessadas no YouTube, inclusive por uma geração que nem era nascida há 22 anos...
Renata - Acho isso tão engraçado! Essa molecada buscando a Heleninha na internet... Tem um ator maravilhoso aqui no Rio que faz no teatro a “Renata Sorrahteira” [o ator Marcio Machado]. Ele é ótimo, ótimo, ótimo, ele é bárbaro! (risos) Procura no YouTube, que tem ele lá. Ele é superjovem, acredito que nem tenha assistido à novela na época. E olha que eu não gosto muito quando fazem graça em cima dos meus personagens...
G1 – A Heleninha quando bebia praticamente se transformava em outro personagem. Qual era sua medida para não deixá-la caricata?
Renata – Sempre fiz a Heleninha com um tom acima e isso funcionou bem. Queria mostrar como ela se tornava escandalosa, degradante, descontrolada. Uma coisa triste mesmo. Tive um “feeling” que deveria dar um tom a mais nas cenas em que a Heleninha bebia. Ela quebrava tudo, gritava, criava coragem para enfrentar a mãe e fazer coisas que nunca faria, como dar um vexame numa festa, rebolar no balcão do bar.
G1 – E quando a Odete Roitman dizia que a Heleninha “entornava cinco litros de uísque”, na verdade o que você estava bebendo?
Renata – Mate. Era sempre um mate gelado que o pessoal da produção colocava na garrafa, no copo. Várias pessoas achavam que eu bebia mesmo. Mas eu nunca fui de beber, só um vinhozinho com os amigos, um champagne, uma caipirinha no verão... Mas não suporto uísque, que era justamente o que derrubava a Heleninha. Eu nem podia passar em porta de bar que o pessoal gritava: “aê, Heleninha, quer tomar uma?”. Do chofer de táxi ao executivo engravatado. Até hoje morro de rir quando alguém diz que “vai fazer a Heleninha” e encher a cara.
Senhora do destino
A atriz em cena como a vilã Nazaré, de "Senhora do
destino". (Foto: Divulgação/TV Globo)
G1 – Heleninha é a sua personagem preferida?
Renata - Adoro todos os trabalhos que fiz, especialmente alguns ótimos escritos pelo Aguinaldo [o autor Aguinaldo Silva]. Mas tive dois grandes personagens, que foram um tremendo sucesso de público, a Heleninha e a Nazaré [a vilã de “Senhora do destino”]. Esses dois papéis foram grandes momentos que tive na televisão, surpreendentes.
G1 - Assiste à reprise de “Vale tudo”?
Renata – Olha, o horário é péssimo, é muito tarde! Mas sempre tem algum amigo que me liga pra comentar que assistiu uma cena bárbara. Adoro quando isso acontece! É incrível como uma novela que passou há 22 anos continua moderna em seus temas, na direção, na luz, nas atuações. Não virou uma novela mexicana, porque algumas tramas acabam ficando cafonas com o passar do tempo. Aquela coisa de você se olhar na TV e pensar: “meu Deus, o que era aquilo?”. Novela é descartável, mas felizmente não é o caso de “Vale tudo”.

Do G1, em São Paulo


'Vale tudo' volta à TV e atualiza debate sobre ética no Brasil
'Acredito que o país mudou', diz autor Gilberto Braga em entrevista ao G1.
Novela lidera audiência na madrugada; personagens fazem sucesso na web.
Os porres de Heleninha Roitman, o visual descolado de Solange Duprat e a ambição desmedida de Maria de Fátima Aciolly estão entre os assuntos mais “transados” na web - só para usar uma gíria da época. Líder de audiência nas madrugadas da TV paga, a novela “Vale tudo” volta a fazer sucesso 22 anos depois de sua primeira exibição e atualiza a discussão sobre ética no Brasil.
No ar de segunda a sexta-feira no Canal Viva, à 0h45, a trama de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Basséres não para de mobilizar os fãs. Desde o último dia 4, quando o primeiro capítulo da reprise foi ao ar, internautas lotaram o YouTube com cenas antológicas, lançaram comunidades no Orkut e criaram perfis dos personagens no Facebook.
O forte teor político de “Vale tudo” hoje é associado à corrida presidencial – nos anos de transição do governo Sarney para o Collor a novela questionava até que ponto compensava ser honesto no Brasil. No Twitter, o termo #valetudo agora passou a ser citado ao lado de comentários críticos aos candidatos José Serra e Dilma Rousseff.
“Pode ser ingenuidade minha, mas acredito que o país mudou. As pessoas estão mais preocupadas com a impunidade”, opina Gilberto Braga, em entrevista ao G1. “O brasileiro de 1988 aceitava a corrupção como fato consumado, coisa natural. E a proposta da novela de discutir ética vinha exatamente daí”, completa o autor.

Raquel e Maria de Fátima
Filha e mãe, Maria de Fátima (Gloria Pires) e Raquel
(Regina Duarte) estavam em lados opostos no debate
de 'Vale tudo'. (Foto: Bazilio Calazans/Divulgação)
“Sangue de Jesus tem poder!” 
“Vale tudo” girava em torno do plano da jovem Maria de Fátima (Gloria Pires) em vencer na vida a qualquer preço. Em troca de luxo e poder, valia de tudo mesmo: mentir, roubar, aplicar golpes.
No extremo oposto estava a mãe da vilã, Raquel (Regina Duarte), que acreditava na força do trabalho e da honestidade. O lema da personagem, “sangue de Jesus tem poder!”, se transformou no bordão popular mais repetido daquele fim de década.
“Foi a novela mais completa que participei. A Maria de Fátima tinha uma riqueza de sentimentos e questionamentos”, relembra Gloria, que na época tinha 25 anos e garantia sua entrada para a história da teledramaturgia nacional. Com uma performance brilhante, a atriz recebeu prêmios como o da Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) e o Troféu Imprensa.
Gloria conta que, diferente do que acontecia com outros malfeitores folhetinescos, o público sentia certa compaixão por sua personagem. “As pessoas admitiam, em parte, as atitudes da Maria de Fátima. Ela era pobre e almejava uma vida melhor num país onde ainda havia muita tolerância com a desonestidade”, avalia.
Atualmente a atriz se prepara para atuar em uma nova trama de Gilberto Braga, “Insensato coração”, com estreia prevista para janeiro de 2011. A personagem, Norma, vem cercada de expectativas, já que se trata de mais uma vilã. “Espero que ela seja tão arrebatadora quanto a Maria de Fátima!”, torce.
Odete te despreza
Se os espectadores poupavam a vilã de Gloria, o mesmo não poderia ser dito da personagem da atriz Beatriz Segall. A socialite Odete Roitman se tornou a inimiga pública número 1 graças a comentários depreciativos contra o Brasil.
Odete Roitman
Odete Roitman (Beatriz Segall): vilã virou ícone pop do
Brasil. (Foto: Bazilio Calazans/Divulgação)
 Pérolas do preconceito como “esse país não vai para frente porque brasileiro é preguiçoso, é uma mistura de raças que não deu certo” ou “desde que nasci só ouço falar em crise nesse país” ou ainda “só gosto de ver o Rio de Janeiro da minha TV lá em Paris” compunham o repertório da megera.
Tais falas tinham efeito explosivo junto aos espectadores, o que fez de madame Roitman uma das vilãs mais odiadas da teledramaturgia.
Com o passar dos anos, o público fez as pazes com Odete, que se tornou ícone pop. No Orkut há comunidades-tributo como “Odete te despreza”, além de contas no Twitter que reproduzem as “máximas odeteanas”.
“Odete Roitman era uma bandida. Ela podia espinafrar o Brasil, que isso tinha muito charme”, diz Braga.
Pioneirismo
Ao time de personagens femininas fortes de “Vale tudo” se juntava Heleninha Roitman (Renata Sorrah). Por meio dela, a novela tratou do problema do alcoolismo de forma dramática e realista pela primeira vez na televisão.
Fumantes - hoje vetados na televisão - também circulavam entre uma cena e outra. Rubinho (Daniel Filho), um pianista notívago que sonhava conhecer a Nova York, aparecia sempre com um cigarro pendurado entre os lábios.
Lala Denheizelin e Cristina Prochaska
O casal Cecília (Lala Deheinzelin) e Laís (Cristina
Prochaska): pioneirismo ao debater parceria civil.
(Foto: Bazilio Calazans/Divulgação)
Braga garante que a patrulha do politicamente correto nunca o impediu de desenvolver a novela com liberdade. “Fizemos uma campanha contra o fumo por meio do Rubinho. Nunca senti qualquer tipo de rejeição naquela época. ‘Vale tudo’ foi muito bem aceita”.
Tal aprovação – a trama ultrapassava os 50 pontos de audiência – fez com que a novela tivesse caráter pioneiro em outras áreas, como a homossexualidade. Sim, “Vale tudo” tinha um casal de garotas: Laís (Cristina Prochaska) e Cecília (Lala Deheinzelin).
Na história, Cecília morria e seu irmão, Marco Aurélio (Reginaldo Faria), tentava impedir na Justiça que a cunhada ficasse com a pousada em Búzios fundada pelas duas. Foi a primeira vez que o tema da parceria civil entre pessoas do mesmo sexo entrava na pauta de um folhetim.
A mocinha ‘transada’
O perfume de modernidade de “Vale tudo” também ficava por conta da mocinha Solange Duprat (Lídia Brondi). Repórter da fictícia revista “Tomorrow”, a moça lançou moda com sua franjinha ruiva cortada no meio da testa, o batom carmim e um comportamento liberal para a época.
Cássio Gabus Mendes e Lídia Brondi
Cássio Gabus Mendes e Lídia Brondi como Afonso
e Solange: casal estampava a imagem do disco de
vinil com as músicas da novela. (Foto: Divulgação)
Solange namorava o milionário Afonso (Cássio Gabus Mendes), mas dividia o apartamento e as contas com um amigo, Sardinha (Otávio Müller). Uma coleção de gírias e expressões pontuava suas frases, que terminavam sempre com a palavra “cherrie”.
A personagem também costumava substituir qualquer verbo pela palavra “transar”. Exemplos: “Vamos transar [fazer] uma festa?” ou “você conseguiu transar [resolver]aquele problema?”.
Para estranhamento geral, sua intérprete, não quis mais “transar” televisão. Abandonou a carreira para estudar psicologia. E se casou com seu par romântico de novela.
Cássio e Lídia estão juntos há 20 anos e a ex-atriz é avessa a entrevistas. “Mas essa história de que a gente começou a namorar em ‘Vale tudo’ é lenda urbana”, esclarece Cássio. “Só dois anos depois das gravações da novela nos reencontramos e começamos o namoro”.
Do G1, em São Paulo
Links: globo.com e g1.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Ivani Ribeiro: Senhora das telenovelas

 Ivani Ribeiro

Biografia
Durante a sua carreira, usou como pseudônimos Valéria Montenegro em A Moça que Veio de longe (1964) e Arthur Amorim com O Leopardo (1972), exibida pela TV Record, já que era contrada da TV Tupi; esta novela não obteve grande repercussão.
A Selvagem
Início da carreira e incursão pelas rádios
A carreira teve início aos dezesseis anos, paralelamente aos trabalhos como compositora de sambas, radioatriz, cantora e criadora de programas de variedades. Ivani foi a grande recordista entre todos os autores da telenovela brasileira, com mais de quarenta títulos de sucesso.

Formada na Escola Normal de Santos, Ivani mudou-se para São Paulo a fim de cursar a faculdade de Filosofia além da constante incursão pelo rádio, uma das principais metas de trabalho. Na Rádio Educadora, passou a fazer apresentações onde trouxe a público canções folclóricas e sambas, alcançando grande popularidade logo no rádio através dos programas criados, como Teatrinho da Dona Chiquinha e As mais belas cartas de amor; neste último, Ivani mostrou o lado de radioatriz e interpretou uma personagem feminina. Protagonizou também o programa Hora infantil, com músicas e poemas, que obteve grande sucesso e radiofonizou filmes e novelas famosas, onde também atuava como autora. Nesta mesma rádio, fez o programa Infantil, com músicas e poemas.

Posteriormente transferiu-se para a Rádio Difusora onde atuou como cantora interpretando canções folclóricas e sambas sempre acompanhada por uma orquestra. Integrou também o elenco da PRG-2 - Rádio Tupi de São Paulo. Em 1940, já pertencia ao elenco da Rádio Bandeirantes, para a qual transferiu-se juntamente com o marido, Dárcio Alves Ferreira, um locutor muito premiado e respeitado pela crítica especializada, com o qual teve dois filhos, Luís Carlos e Eduardo. Ele também veio a assumir a direção da broadcasting da PRH-9, pela qual lançou novos programas de alto dinamismo, como o programa de calouros A Hora dos Neófitos, voltado para o público jovem.
Os Fantoches

Nesta rádio, além de atuar como atriz, adaptou peças para o teatro homônimo onde apresentou diversos programas, dentre os quais Teatro romântico, baseado em poemas clássicos da literatura brasileira; Os grandes amores da história, dramatização da vida amorosa de personalidades históricas, A canção que viveu, dramatização de canções brasileiras, e outros. Ivani também foi a primeira mulher brasileira a ter um programa de radioteatro exclusivamente seu, escrevendo e adaptando inúmeras peças, levadas ao ar pela Rádio Bandeirantes, onde havia um programa que levava o nome Teatro Ivani Ribeiro.

Obras no Rádio
1938 - A Hora Infantil - Rádio Educadora
1938 - Teatro da Dona Chiquinha - Rádio Educadora
1939 - As Mais Belas Cartas de Amor (Como atriz e escritora) - Rádio Tupi (SP)
1940 - Os Grandes Amores da História - Rádio Bandeirantes
194? - Teatro Romântico - Rádio Bandeirantes
194? - A Canção que Viveu - Rádio Bandeirantes
194? - Teatro Ivani Ribeiro - Rádio Bandeirantes
1946 - As Minas de Prata - Rádio Bandeirantes
1947 - Mulheres de Bronze - Rádio Bandeirantes
195? - Anjo ou Demônio
195? - A Muralha - Rádio Bandeirantes
1958 - As Noivas Morrem no Mar - Rádio Farroupilha
1959 - A Menina do Veleiro Azul - Rádio Clube do Paraná
196? - Corações em Conflito - Rádio
196? - Ambição - Rádio
1965 - A Mulher Que Morreu no Mar - Rádio
1981 - A Mulher de Pedra - Rádio Atlântica de Santos

Fontes: Sites Tio Sam, Wikipédia, NetSaber, Terra, Museu da TV Brasileira, Sites das novelas que escreveu; Site Teledramaturgia; Acervo MofoTV.
Primeiras telenovelas
Na pioneira televisiva e da América do Sul TV Tupi, escreveu em 1952 a série Os Eternos Apaixonados, o primeiro trabalho nesse meio. Dois anos depois, transfere-se para a TV Record, onde escreveu a adaptação do livro A Muralha (1954) e ainda a novela Desce o Pano em 1957. Em 1958, retornou à antiga emissora onde escreveu A Muralha em uma nova versão. Nesta época a autora realizava alguns teleteatros para várias emissoras, mas a atenção principal eram as radionovelas, que ela escrevia para a Rádio Bandeirantes.
No início dos anos 1960, foi contratada pela recém-inaugurada TV Excelsior, onde era uma das redatoras do Teatro Nove. A primeira telenovela diária de Ivani foi Corações em conflito (1963), com direção de Dionísio de Azevedo, que transpunha para o vídeo uma das histórias que o rádio havia consagrado e discutia os problemas que um viúvo tem ao realizar um segundo casamento, interpretado por Carlos Zara. Aliás esta foi a primeira novela diária nacional, já que as duas que a antecederam tiveram seus textos extraídos de originais argentinos.


A partir da adaptação do texto argentino de A moça que veio de longe (1964), com Rosamaria Murtinho e Hélio Souto - este último então estreante na TV - nos papéis principais, o gênero se torna uma constante na grade de programação de todas as emissoras brasileiras. Ivani foi projetada nacionalmente com o horário das 19h30 na TV Excelsior - inaugurada em 9 de julho de 1960, onde liderou uma espécie de laboratório teledramatúrgico, intercalando romance com melodrama - na segunda metade dos anos 60, quando escreveu treze novelas consecutivas com aproximadamente 1600 capítulos - todas com grande sucesso: Onde nasce a ilusão que abordou a temática circense e contou com produção milionária, A indomável ambientada na década de 1920 e sua primeira incursão em um texto cômico em detrimento dos dramalhões daquela época, Vidas cruzadas um sucesso da época que contou a história dos conflitos entre gêmeos e sósias num tema que seria freqüentemente retomado na história da teledramaturgia brasileira, a bem-sucedida A deusa vencida, A grande viagem que era um suspense policial - temática esta retomada com Anjo marcado, Almas de pedra e As minas de prata - esta última baseada no romance homônimo do escritor José de Alencar serviria para uma segunda adaptação na novela A Padroeira (2001) de Walcyr Carrasco - Os fantoches baseada no livro O caso dos dez negrinhos de Agatha Christie, a novela de época O terceiro pecado, A muralha protagonizada por Mauro Mendonça, Os estranhos que contou com a participação de seres extraterrestres, A menina do veleiro azul que teve problemas na seleção de elenco devido à grave crise da emissora e Dez vidas, baseada no livro Caminho da Liberdade de Wanderley Torres, contando a vida de Tiradentes, Joaquim José da Silva Xavier - inconfidente mineiro.
O primeiro grande êxito foi a novela de época A Deusa Vencida (1965), ambientada no final do século XIX, mais precisamente em 1895. Entre os méritos, esta contava ser a novela que foi a primeira a ter uma trilha sonora própria, consagrou as atrizes Regina Duarte, trazida à TV pelo diretor Walter Avancini, e Ruth de Souza, então iniciantes.

Década de 1970
Com a falência da TV Excelsior (15 de outubro de 1970), Ivani se transferiu para a TV Tupi, onde emplacou grandes sucessos no horário das vinte horas tradicional da concorrente Rede Globo, como Mulheres de Areia (1973), que foi baseada em uma antiga radionovela de sua autoria, As noivas morrem no ar (1965) e consagrou a atriz Eva Wilma e Os Inocentes (1974), inspirada na peça A visita da velha senhora de Durrenmatt e na radionovela de sua autoria A mulher de pedra, ambas protagonizadas por Cleide Yáconis, contando também com a participação de Cláudio Correia e Castro. Ao longo da novela, ela deixou o roteiro nas mãos do marido para trabalhar na novela A Barba Azul, para a qual também se transferiram Jussara Freire e Carminha Brandão. O tema central também rendeu outras novelas, como Cavalo de aço, Fera radical (ambas de Válter Negrão) e a trama inicial de Chocolate com Pimenta.

Prosseguiu com a espírita A Viagem (1975), inspirada nos livros E a vida continua… e Nosso lar, ambos ditados pelo espírito de André Luiz ao médium Chico Xavier contou com a colaboração do professor José Herculano Pires na última novela da qual Lúcia Lambertini participou pois viria a falecer pouco tempo depois, e O profeta (1977), protagonizada por Carlos Augusto Strazzer que ganhou o Troféu APCA por essa interpretação, que também abordou temas espíritas e místicos (como em Os estranhos, A viagem e O terceiro pecado); para escrevê-la, Ivani foi assessorada por um mentor espírita, um psiquiatra, um sacerdote católico e um orientador de candomblé, contando também com a participação especial da apresentadora Hebe Camargo, o médium Chico Xavier e do Arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns; a novela ganhou uma adaptação em 2006 exibida pela Rede Globo, por Thelma Guedes e Duca Rachid sob supervisão de texto de Walcyr Carrasco, protagonizada por Thiago Fragoso e Paola Oliveira.
Em entrevista ao Jornal do Brasil (28 de janeiro de 1978), declarou: Focalizando a paranormalidade, que considero um assunto fascinante, armo um debate com a doutrina espírita, a Igreja Católica e a parapsicologia. Mas como sou leiga no assunto, sou assessorada por padres, médicos, médiuns e pais-de-santo. Com essa novela, pretendo despertar a consciência de que precisamos tentar uma maior aproximação do homem com Deus, ao mesmo tempo em que apresento, seriamente, uma ilustração do fenômeno.


Em Aritana (1978) recebeu o auxílio do sertanista Orlando Villas Bôas para abordar a cultura indígena, as diferenças entre os índios e a sociedade dita civilizada; contou também com a colaboração do professor e então administrador do Parque Xingu, Olympio Serra. As gravações só foram possíveis graças ao apoio da Funai e foram feitas no Posto Leonardo em plena selva, e nos estúdios da TV Tupi. A princípio, ela foi mal-interpretada por aqueles que se sentiam ameçados com os direitos de reivindicação dos índios, como no tema central, em que deseja a posse total das terras para abrigar sua tribo; a intenção da autora foi defendida no especial O Caso Aritana - Uma Novela à Parte, que contou com a participação do diretor artístico da emissora, Carlos Zara, os irmãos Vilas-Boas e grande parte do elenco.


Escreveu também a ecológica O Espantalho (1977), para os Estúdios Sílvio Santos, que abordou o tema da poluição das praias e para redigir o texto de As Bruxas (1970), que abordou assuntos polêmicos à epoca, tais como o tema da psicanálise de Sigmund Freud, bem como separação de casais e adultério - temas vetados pela censura, que acarretou a mudança de horário -, freqüentou sessões de terapia para que tivesse uma maior compreensão da popularização de análise grupal.
Em 1976, assinou um contrato com os Estúdios Sílvio Santos, com duração de quatro anos. Nesse período escreveu a novela O Espantalho, para a TVS, mas devido ao fracasso dessa novela, a emissora desistiu de investir em teledramaturgia. Sílvio Santos então colocou a escritora à disposição da TV Tupi, em compensação a emisora devia pagar o salário para a escritora; assim Ivani volta à TV Tupi e escreve O Profeta, em 1977 e Aritana, em 1978. Em 1980, com o final de seu contrato com Sílvio Santos e com a falência da TV Tupi, a escritora foi contratada pela TV Bandeirantes.
Ivani foi a principal autora de novelas da TV Tupi na década de 70; por isso, nos últimos dois anos de existência da emissora, os três tradicionais horários de novela foram cancelados e substituídos por reprises de novelas de sua autoria: Gaivotas, de Jorge Andrade, foi substituída pela reprise de O Profeta, Aritana foi substituída por uma reprise compacta de sessenta capítulos de O Espantalho - entre maio e junho de 1979 (que ganharia uma segunda reprise pelo SBT em 1983) e Como salvar meu casamento, a última produção da emissora, que não teve um final exibido, foi substituída pela reprise compacta de A viagem, que não foi terminada devido à grave crise da emissora e da saída definitiva da mesma do ar em 18 de julho de 1980; na reprise, a novela ganhou um novo logotipo e abertura, contando também com outro tema musical.

Fase Bandeirantes
Depois da falência da TV Tupi, transferiu-se com praticamente todos os colegas autores e de elenco da antiga emissora, para a Rede Bandeirantes, onde escreveu quatro sucessos: Cavalo amarelo (1980), protagonizada pela atriz e humorista Dercy Gonçalves. A novela ganhou uma continuação depois do término, Dulcinéa vai à guerra, que não obteve o mesmo êxito e foi escrita por Sérgio Jockyman pois Ivani se recusou a escrevê-la. No mesmo ano foram levados ao ar os remakes de A deusa vencida protagonizada por Elaine Cristina, e O meu pé de laranja lima; este último é baseado no romance homônimo de José Mauro de Vasconcelos e ganharia uma terceira versão em 1998 adaptada por Ana Maria Moretzsohn, além de uma adaptação para o cinema por Aurélio Teixeira.
Para escrever Os Adolescentes (1981), foi auxilada pelo psiquiatra Paulo Gaudêncio. Intencionando mostrar os conflitos dos jovens naquele momento, foi substituída por Jorge Andrade, que terminou a obra amenizando os problemas dos jovens centrais e criando personagens novos, inexistentes nos capítulos criados por Ivani anteriormente. Quando Benedito Ruy Barbosa abandonou a escrita da novela Os imigrantes para retornar à Rede Globo, a direção da Bandeirantes resolveu que Ivani deveria abandonar a escrita de Os Adolescentes e assumir Os Imigrantes. Apesar do profissionalismo de Ivani em aceitar esta incumbência, o fato acabou causando uma série de desencontros e o desgaste de sua relação com a emissora, da qual sairia em seguida.


Estréia na Globo e adaptações
Em 1982 estreou na Rede Globo, onde permaneceu até sua morte. A telenovela que marcou a estréia nessa emissora é Final feliz, dirigida por Paulo Ubiratan, Wolf Maia, Mário Márcio Bandarra e produção de Manuel Alves; foi o último trabalho da atriz Elza Gomes que veio a falecer em 1984, onde a interpretação de Estênio Garcia ganhou os prêmios de Destaque do Ano e Assoçião Brasileira de Críticos de Arte (ABCA), fazendo com que o autor fosse contratado pelo governo cearense para promover o turismo naquele estado durante um ano, teve cenografia de Jorge Moreira, figurinos de Zenilda Barbosa e maquiagem de Eric Rzepecki, obteve audiência expressiva, promoveu o merchandising sobre tabagismo, cuja trama focalizava o amor vivido em diferentes idades, bem como uma trama policial e deficiência mental, contando com a colaboração do psiquiatra Stanislau Krinsky e inclusive, retratou características do Nordeste brasileiro e foi a única produção inédita na casa - e última novela inédita de sua autoria, pois todas as outras foram remakes ou baseados em antigos sucessos seus. A abertura, idealizada por Hans Donner, teve uma produção cuidadosa: imagens famosas na história do cinema, como em ...E o vento levou e Casablanca, com atores conhecidos, como Marilyn Monroe, Rodolfo Valentino e Clark Gable; ao final, numa montagem, as estrelas de Hollywood apareciam caracterizadas e assistinado às cenas, numa fictícia platéia de cinema. A direção da abertura foi assinada por Roberto Cardim, e seu tema musical era Flagra, interpretada por Rita Lee.

Prosseguiu com Amor com amor se paga (1984), com direção geral de Gonzaga Blota, direção de Atílio Ricó, Jaime Mojardim, Gonzaga Blota e produção executiva de Mariano Gati; ambientada na fictícia cidade de Monte Santo no interior mineiro, inspirada na peça O Avarento de Molière foi baseada em Camomila e bem-me-quer (1972) com Ary Fontoura no papel equivalente ao de Gianfrancesco Guarnieri na versão original, marcando a estréia da atriz Cláudia Ohana - papel que na versão original foi de Teresa Teller, bem como Édson Celulari que foi de Marcelo Picchi na primeira versão, bem como Nicete Bruno e Juca de Oliveira (Yoná Magalhães e Carlos Eduardo Dolabela, respectivamente) e cuja trilha sonora reunia sucessos de Fafá de Belém, Amelinha, Kid Abelha, Renato Teixeira, Pepeu Gomes, Cindy Lauper e Bruce Springsteen, entre outros.

Outro trabalho neste caminho foi Hipertensão (1986), com direção de Volf Maia, Carlos Magalhães, Atílio Ricó, Marcelo de Barreto, produção executiva de Maria Alice Miranda e direção de planejamento de Rui Matos, foi baseada em Nossa filha Gabriela (1971) entretanto sem alterar a estrutura da história onde houve mudanças na espinha dorsal, nos nomes dos personagens, criação de novas tramas formando assim uma nova novela, com Maria Zilda no papel principal - no original o papel foi de Eva Vilma - os papéis de Cláudio Correia e Castro, Paulo Gracindo e Ari Fontoura foram interpretados pelo próprio Cláudio Correia e Castro, Ivã Mesquita, e Abraão Farc na novela original, respectivamente; as cenas externas da fazenda Santa Lúcia foram gravadas em Vassouras (RJ), e ambientada na fictícia cidade de Rio Belo, construída em Guaratiba, sob a responsabilidade do cenógrafo Mário Monteiro e as cenas externas da fazenda Santa Lúcia foram gravadas em Vassouras (RJ), com a produção de arte assinada por Ana Maria Magalhães, os figurinos ficaram acargo de Beth Filipecki e Sandro Dutra, marcando a estréia dos atores Antônio Calloni, Cláudia Abreu, Carla Marins e Eri Johnson; O sexo dos anjos (1989) que contou com seqüências gravadas na Amazônia e estação de esqui, efeitos visuais, cuja cenografia era de Cláudia Alencar, José Cláudio Ferreira dos Santos, Sônia Soares encarrou-se dos figurinos, e Ângela Fróis, da direção de arte, marcando a estréia do ator Humberto Martins, foi baseada em O terceiro pecado (1968), esta última a primeira incursão no sobrenatural - neste remake Isabela Garcia, Felipe Camargo, Bia Seidl e Sílvia Buarque interpretaram os papéis que na primeira versão foram de Regina Duarte, Gianfrancesco Guarnieri, Natália Timberg e Maria Izabel de Lizandra.

O sexo dos anjos - com direção de Roberto Talma, Fábio Sabag, Flávio Colatrelo, direção executiva do próprio Roberto Talma, produção executiva de José de Almeida e direção de planejamento de Eduardo Figueira - não obteve êxito, transpondo para os dias contemporâneos uma história que originalmente se passou na década de 1920; A Muralha, baseada no romance homônimo de Dinah Silveira de Queiroz foi convertida em minissérie em 2000 de 49 capítulos, como parte da comemoração dos 35 anos da TV Globo e também aos 500 anos do Brasil, comemorados em 22 de abril daquele ano - adaptada pela dramaturga portuguesa Maria Adelaide Amaral, afora as quatro apresentações de 1954, 1958, 1963 (estas, de maneira mais simplista, numa época em que as telenovelas brasileiras ainda não eram diárias) e 1968. Maria Adelaide leu os originais que Ivani escreveu para rádio nos anos 1950, para realizar a versão de minissérie da obra, conforme consta em uma entrevista da autora na revista Istoé Gente, de 2000.

Remakes
Escreveu também os remakes de A gata comeu (1985), comédia romântica ambientada no Rio de Janeiro, com direção de Herval Rossano, José Carlos Pieri e direção de produção de Manuel Martins, que marcou a estréia da atriz Deborah Evelyn, teve cenários criados por Jorge Moreira e Ana Maria Melo, figurinos de Sônia Galo e maquiagem de Eric Rzepecki, ambientada no Rio de Janeiro e contou com a colaboração de Marilu Saldanha, já havia sido A barba azul (1974) - destaque também para os personagens de Laerte Morrone, Marilu Bueno, Cláudio Correia e Castro, Dirce Migliaccio e Luís Carlos Arutin e o núcleo infantil (Danton Melo, Juliana Martins e Oberdã Júnior), cenário de Jorge Moreira, Ana Maria Melo, figurinos de Sônia Galo e maquiagem coordenada por Eric Rzepecki - o tema de abertura também ficou marcado na memória do público: a música Comeu, de Caetano Veloso, gravada pelo compositor acompanhado pelo grupo Magazine; 
Mulheres de areia (1993), com direção de Wolf Maya, Inácio Coqueiro, Carlos Magalhães, produção executiva de Maria Alice Miranda e direção de produção de Rui Matos, foi juntada com a espinha dorsal de O Espantalho, protagonizada por Guilherme Fontes e Glória Pires - na versão original, por Carlos Zara e Eva Vilma - numa elogiada interpretação, cujo resultado alcançado foi excelente e valorizou ainda mais o remake, cuja gravação já fora cogitada anteriormente, em 1990. A novela deveria substituir Felicidade de Manoel Carlos em junho de 1992, mas como Glória Pires engravidou, sua estréia foi adiada em um ano; em seu lugar, entrou Despedida de Solteiro, de Walther Negrão.

A última novela escrita antes de morrer foi o remake de A Viagem (1994), novamente com direção de Wolf Maia, Inácio Coqueiro, produção executiva de Alexandre Ishikawa e direção de produção de Ítalo Granato, inspirando-se na filosofia de Allan Kardec, com Christiane Torloni, Antônio Fagundes, Maurício Matar, Andréia Beltrão e Guilherme Fontes nos papéis que na versão original foram de Eva Wilma, Altair Lima, Tony Ramos, Elaine Cristina e Ewerton de Castro, respectivamente.

A exibição desta, segundo dados de livrarias especializadas na época, aumentou em 50% a vendagem de livros espíritas; por outro lado, a novela teve protesto de diversos movimentos negros, que enviaram cartas à emissora repudiando a discriminação dos autores por não apresentarem negros no céu, baseando-se na filosofia de Allan Kardec e levantando todas as dimensões da Doutrina Espírita, desde o preconceito dos leigos até estudos científicos: o enredo central, que fala sobre a vida após a morte, comunicação entre vivos e mortos através da mediunidade, reencarnação, intercâmbio entre o mundo material e espiritual, a existência dos espíritos encarnados e desencarnados, a imortalidade do espírito, a vida eterna, crendices populares, possessões, sessões de regressão em vidas passadas, a pluralidade de mundos habitados, a moral cristã rediviva e a caridade; Ivani usou dessa história para apresentar sua crença, contando também com cenas gravadas em um campo de golfe de Nogueira, distrito de Petrópolis (RJ), e também em uma pedreira desativada em Niterói; outra característica importante é que neste remake alguns personagens tiveram nomes diferentes em relação à versão original. Luís Antônio Calliguri produzi 50 cenários e mais de 200 ambientes para a novela, passada no Rio de Janeiro, projetado pela equipe nos estúdios da Herbert Richers, no bairro carioca da Tijuca, realizando-se também na cidade cenográfica projetada por Mário Monteiro e construída em Jacarepaguá.

Inclusive esta novela de tanto sucesso superou os índices de audiência da então novela das oito, Pátria minha, de Gilberto Braga. As duas últimas novelas contaram com a colaboração de Solange Castro Neves e todas tiveram grande sucesso de audiência, além das inúmeras reapresentações dos trabalhos gravados; Mulheres de areia fez tanto sucesso que nunca obteve uma audiência inferior a cinqüenta pontos - um fenômeno para o horário das seis; na Rússia o sucesso foi tanto que, por decisão do governo, o último capítulo foi exibido no dia em que haveria eleições, para evitar que os eleitores viajassem no feriado e conseqüentemente aumentou a freqüência das zonas eleitorais. As cenas externas foram gravadas na cidade cenográfica de Jacarepaguá, Angra dos Reis e Tarituba, no litoral sul fluminense, inserida por newsmate, recurso que permite o recorte de imagens gravadas para o chromakey, permitindo a contiuidade das gravações, e foram usados equipamentos de alta tecnologia, para dar mais realismo às cenas. Os figurinos foram de Marília Carneiro e Helena Brício.
A mais recente adaptação das antigas obras de Ivani foi O profeta (2006), que não era exatamente um remake da primeira versão, foi somente baseada na obra, como a história - a primeira versão da novela era contemporânea e este remake é ambientado nos anos 50 - e a mudança dos nomes de muitos personagens. A novela era ambientada em um supermercado que atualmente foi modificado com uma fábrica de cristais (Áurea) - o cristal é o símbolo da clarividência. A regravação de O profeta já havia sido cogitada anteriormente - mais precisamente em 2004 para substituir Chocolate com pimenta de Walcyr Carrasco, novela aliás que foi inspirada em Amor Com Amor se Paga, mas a emissora acabou optando por Cabocla, de Benedito Ruy Barbosa adaptado por suas filhas Edmara e Edilene Barbosa.
Falecimento e trabalhos póstumos
Ela morreu de insuficiência renal provocada pela diabete, no dia 17 de julho de 1995, aos 73 anos, mas deixou prontos dois trabalhos: a última telenovela, a póstuma Quem é você? (1996), um fracasso de audiência, onde abordou a vida da terceira idade e a farsa dos sexos, reunindo veteranos há tempos afastados da televisão como Castro Gonzaga, Norma Geraldy, Alberto Peres, Ênio Santos e Vanda Lacerda, protagonizada por Cássia Kiss e Elizabeth Savalla, da qual ela escreveu o argumento e foi redigida pela fiel colaboradora Solange Castro Neves (que escreveu apenas os vinte e quatro primeiros capítulos, transferindo-se posteriormente para a TV Record) e terminada por Lauro César Muniz. O título original da novela era Caminho dos ventos (outro título provisório era Os bonecos). Escreveu também uma minissérie, O Sarau, de doze capítulos baseada em obras do escritor Machado de Assis, projeto este que acabou por ser abortado.
Além desta, Ivani também escreveu o argumento de A Selvagem (remake de Alma cigana, 1964) e O machão, de Sérgio Jockman, exibidas pela TV Tupi em 1971 e 1974, respectivamente. Esta última foi adaptada de A Indomável (1965), pela TV Excelsior e ganharia uma terceira adaptação em 2000 exibida pela TV Globo, cujo título agora era O Cravo e a Rosa, de Walcyr Carrasco, protagonizada por Adriana Esteves e Eduardo Moscovis (na primeira versão, foram interpretados por Araci Cardoso e Édson França e na segunda adaptação, os papéis foram defendidos por Maria Isabel de Lisandra e Antônio Faugundes), uma livre adaptação do clássico A megera domada, de Sheakspere. Escreveu também um roteiro para um filme com direção de Roberto Santos - Pantomina. Até a década de 80, Ivani havia adaptado exatos 2922 contos, média de um por dia; além de 1300 peças para rádio. Sem colaboradores ela escrevia dois capítulos de novela, o dobro do que uma equipe de quatro novelistas escreve hoje.
Ivani Ribeiro também foi a única autora a ter suas novelas reprisadas duas vezes na sessão Vale a Pena Ver de Novo: A viagem, em 1997 e 2006 e A gata comeu, em 1989 e 2001, protagonizada por Christiane Torloni e Nuno Leal Maia (na versão original, A Barba Azul, esses personagens foram interpretados por Eva Vilma e Carlos Zara), levada ao ar em substituição ao fracasso da reprise dos antigos episódios do extinto programa Você Decide, e foi a novela mais velha a ser reprisada, com dezesseis anos em 2001. Durante a segunda reprise de A viagem, a gravadora Som Livre relançou no mercado a trilha sonora internacional da novela.
Em 1998 a autora e colaboradora de Ivani, Solange Castro Neves, apresentou uma sinopse de A Viagem 2, que seria uma continuação da novela exibida em 1994, mas desavenças entre diretores de emissora, fez com que o projeto fosse abortado.


Telenovelas
TV Globo
2006/2007 O Profeta - (remake escrito por Duca Rachid e Thelma Guedes e supervisionado por Walcyr Carrasco)
2001 A Padroeira - (Novela de Walcyr Carrasco a partir de idéia de Válter Avancini, de adaptar a telenovela As Minas de Prata de 1966.)
2000 O Cravo e a Rosa - (Escrita por Walcyr Carrasco e Mario Teixeira, inspirada na novela A Indomável.)
2000 A Muralha - (Baseada na radionovela A Muralha, de Ivani Ribeiro, transmitida pela Rádio Bandeirantes nos anos 1950 e adaptada por Maria Adelaide Amaral em forma de minissérie.)
1996 Quem é você? - (Argumento - Escrita por Solange Castro Neves e Lauro César Muniz)
1994 A Viagem - (Remake)
1993 Mulheres de areia - (Remake de Mulheres de Areia unida à O Espantalho)
1989/1990 O sexo dos anjos - (Remake de O Terceiro Pecado)
1986/1987 Hipertensão - (Remake de Nossa filha Gabriela)
1985 A gata comeu - (Remake de A Barba Azul)
1984 Amor com amor se paga - (Remake de Camomila e bem-me-quer)
1982/1983 Final feliz
TV Record
1977 O Espantalho
1972 O Leopardo
1957 Desce o Pano (Ao vivo.Fonte: site do IMDB)
1954 A Muralha (Baseada em radionovela da mesma autora emitida pela Rádio Bandeirantes)
TV Bandeirantes
1998 Meu pé de laranja lima - (Remake adaptado por Ana Maria Moretzsohn)
1981/1982 Os Adolescentes

1980/1981 O meu pé de laranja lima - (Remake)
1980 Dulcinéia Vai À Guerra - (Continuação de Cavalo Amarelo, a partir da personagem Dulcinéia, criada por Ivani. Esta novela foi escrita por Sérgio Jockman)
1980 Cavalo amarelo
1980 A Deusa vencida - (Remake)


TV Tupi

1978/1979 Aritana
1977/1978 O Profeta
1975/1976 A Viagem
1974/75 A barba azul
1974/75 O Machão - (Argumento de A Indomável,adaptada por Sérgio Jockyman)
1974 Os Inocentes
1973/1974 Mulheres de areia (Baseada na radionovela A Mulher que Morreu no Mar de 1965, da mesma autora)
1972/1973 Camomila e bem-me-quer
1971/1972 Nossa filha Gabriela
1971 A Selvagem - (Remake de Alma Cigana)
1970/1971 O meu pé de laranja lima
1970 As Bruxas
1964 Se o mar contasse
1964 A gata
1964 Alma cigana
1958 A Muralha (Baseada em radionovela da mesma autora emitida pela Rádio Bandeirantes nos anos 1950)
1952 Os Eternos Apaixonados (série)
[editar] TV Excelsior
1969/1970 Dez vidas
1969 A menina do veleiro azul
1969 Os Estranhos
1968/1969 A Muralha
1968 O Terceiro Pecado
1967/1968 Os Fantoches
1966/1967 As minas de prata
1966 Anjo marcado
1966 Almas de pedra
1965/1966 A grande viagem
1965 A deusa vencida
1965 Vidas cruzadas
1965 A Indomável
1965 Onde nasce a ilusão
1964 A outra face de Anita
1964 A moça que veio de longe
1964 Ambição
1963/1964 Corações em conflito
1960 Teatro 9 (Teleteatros)
Tv Cultura
1962 A Muralha

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Dancin' Days de volta no canal VIVA

Os embalos da Frenetic Dancin' Days está de volta no canal VIVA
Canal Viva negocia reprise da novela “Dancin’ Days”

Depois do sucesso de Vale Tudo, o Canal Viva da Globosat, está negociando com a TV Globo os direitos para reexibir a novela “Dancin’ Days”, é o que conta a coluna de Mônica Bergamo, do jornal “Folha de S. Paulo”, desta sexta-feira (17).
“Dancin’ Days” foi exibida pela TV Globo de julho de 1978 a janeiro de 1979. A trama conta com texto de Gilberto Braga e direção de Daniel Filho.

O Canal Viva irá reprisa desde o dia 4 de outubro a novela “Vale Tudo”.
FONTE: http://www.abrilblog/chiado/
Essa Versão que está sendo exibida no Youtube foi postada pela comunidade "Dancin' Days - Media Share". Lá você pode participar e baixar a novela toda, 159 caps.

no orkut.
DANCIN' DAYS - REVISITADA
Os Embalos de Júlia Matos 32 anos depois.
Algumas novelas são sempre lembradas por causa de suas tramas centrais; outras por conta de personagens ou atuações marcantes, e há ainda as que são lembradas pelo modismo que criaram ou ajudaram a proliferar na época em que foram exibidas. “Dancin’ Days” certamente está classificada nesta última categoria. A novela escrita por Gilberto Braga e dirigida por Daniel Filho e Gonzaga Blota, exibida no horário das 8, em 1978, pela Rede Globo, é , na maioria das vezes, lembrada pelos agitos da discoteca Frenetic Dancin’ Days, do personagem Hélio, interpretado por Reginaldo Faria. Embora as meias de lurex, óculos de gatinha, e roupas coloridas tenham servido apenas como adereços totalmente irrelevantes às tramas da novela, não há como não lembrar do show de dança da personagem de Sônia Braga juntamente com o dançarino Paulette, que fez parar a referida discoteca.
Era a moda transcendendo a trama da novela.

Entretanto, “Dancin’ Days” foi muito mais do que uma novela que acompanhou o sucesso do filme Os Embalos de Sábado à Noite, com John Travolta. A trama apresentou personagens marcantes, densos e diversas cenas emocionantes, reflexo de um texto muito bem escrito, em uma época em que se valorizava mais o ator, e os personagens tinham bem mais conteúdo. Se por um lado, muitos dos personagens (incluindo os protagonistas) da novela eram insatisfeitos, angustiados, depressivos - o que se tornaria uma marca do autor Gilberto Braga, pelo menos em suas duas novelas seguintes: Água Viva e Brilhante - por outro, eram pessoas que não mediam esforços para ir em busca da felicidade, ainda que metendo os pés pelas mãos nessa tentativa.
Antônio Fagundes e Sônia Braga