quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Duas Vidas - De Janete Clair

Duas Vidas - De Janete Clair (Rede Globo, 1976)
(Betty Faria e Mário Gomes).

No final da década de 70, uma parte de minha família se mudou para a Rua Dois de Dezembro. Portanto, vi os transtornos causados pelas obras do Metrô no Catete. Este foi um dos bairros que mais sofreram com o trânsito interrompido por muito tempo.

Então, como já se sabe Janete Clair, a grande dama da teledramaturgia brasileira, era capaz de ter sempre uma história pronta na cabeça, nem que fosse uma simples ideia inicial. Ela realmente parecia ser um arquivo de criatividades. Saiu de “Anastácia, a mulher sem destino”, entrou em “Véu de noiva”, depois escreveu “Selva de pedra” e assim não parou mais.


Depois de ter escrito “Pecado capital” (1975), foi escalada para escrever a nova novela das 20h:
“Duas vidas”, que seguia a mesma linha da novela anterior. Foi justamente essa criatividade que fez com que o poeta Carlos Drummond de Andrade um dia se referisse a ela como a “Usineira de sonhos”.
Em 1976, estreava “Duas Vidas”, que foi exibida pela Rede Globo em 1976, às 20h. Na direção dos 154 capítulos estiveram Daniel Filho, Gonzaga Blota e Marco Aurélio Bagno.
A trama mostrava uma rua do bairro do Catete, no Rio de Janeiro, sendo desapropriada para a construção de uma linha do metrô. A partir daí, a novela acompanhou a história dos moradores, o recomeço de suas vidas alteradas pelo progresso da cidade, suas relações familiares e amorosas.


Seu Menelau (Sadi Cabral) era um deles. Grego, alfaiate e pai de quatro filhos – Tomás (Cecil Thiré), Sônia (Isabel Ribeiro), Heitor (Moacyr Deriquém) e Oswaldo (Luis Gustavo) – era um dos mais antigos do local e teve sua casa destruída, se vendo obrigado a morar em um apartamento.
(Betty e Carlos Poyart).
O filho de Menelau, Tomás morava no apartamento do pai com a esposa Leda Maria (Betty Faria) e o filho Téo (Carlos Poyart). Um dia, ele roubou o dinheiro do pai e fugiu com outra mulher, Gilda (Arlete Salles), deixando a família em situação ainda mais difícil.
Já a abandonada, Leda Maria se envolveu simultaneamente com o dr. Victor Amadeu (Francisco Cuoco), médico que atendia aos moradores da redondeza, e Dino César (Mário Gomes), aspirante a cantor e paixão de adolescência da moça. O triângulo amoroso se complicou quando Dino se aproximou de Cláudia (Suzana Vieira), filha do dono de uma gravadora. Enquanto Dino ascendia na carreira fonográfica, Leda batalha para se harmonizar com a família do ex-marido, criar o filho, apesar das dificuldades, e esquecer sua antiga paixão por Dino. No fim, depois de muitos desencontros, Leda acabou vivendo um amor maduro com Victor.


(Sadi Cabral e Luiz Gustavo).


Outra trama de destaque da novela era a história de Sônia (Isabel Ribeiro) e Maurício (Stepan Nercessian). Ela era solteira, madura e estabilizada financeiramente, mas tinha dificuldades em se relacionar com Maurício, em função da diferença de idade. O romance entre uma mulher mais velha e um jovem não agradou a censura, que interferiu no desenrolar da história. Para aplacar a investida dos censores, a autora teve que oficializar a união do casal, o que não estava previsto na sinopse original.


Nessa novela, Janete Clair pretendia dar continuidade ao realismo social que fez tanto sucesso em sua trama anterior, “Pecado Capital” (1975). No entanto, a autora viu frustradas suas intenções de fazer uma crítica humanista à chegada do metrô pela ótica dos moradores do Catete.


(As obras do Metrô na Rua do Catete).


Ela queria abordar os transtornos que uma obra de interesse público pode causar ao universo particular das pessoas, mas a censura não gostou e limou toda a intenção crítica da novela. Até as cenas mais simples, como a reclamação dos personagens sobre a poeira causada pelas obras, foram proibidas de ir ao ar. A construção do metrô era obra do governo federal, na época representado pelo general Ernesto Geisel, e, de acordo com a censura, não podia ser criticada na televisão.

Ao assumir a direção da novela no capítulo 41, Gonzaga Blota sugeriu várias mudanças na trama para tentar superar, além das imposições da censura, a baixa aceitação do público.

Por conta disso, Janete Clair não pôde manter a estrutura inicial da novela, dividida em três partes: a luta dos moradores contra a desapropriação de suas moradias, a dispersão deles com a demolição das casas e o reencontro em outros ambientes e situações. A saída encontrada pela autora foi desviar a atenção para os desencontros amorosos de Leda Maria, Dino e Victor Amadeu.

Então, Janete Clair travou uma dura luta com a censura por causa da novela. A autora chegou a escrever uma carta à Divisão de Censura e Diversões Públicas do Departamento de Polícia Federal: “Quem lhe escreve é uma escritora perplexa e desorientada em face dos cortes que vêm sendo feitos pela Censura Federal nos últimos capítulos da novela Duas vidas. Perplexa e desorientada não apenas pela drástica mutilação da obra que venho realizando, como também diante do incompreensível critério que orienta a ação dos censores. 


De fato não posso entender que conceitos morais ou de qualquer natureza possam determinar a proibição de um romance de amor entre um jovem e uma mulher madura, ambos solteiros. (...) Não posso entender igualmente o porquê da proibição de outra cena em que o dono de uma casa de móveis reclama contra a poeira produzida pelas obras do metrô, que lhe emporcalha os móveis e afugenta a freguesia, quando todos nós sabemos dos transtornos ocasionados por essa obra pública.” O esforço da autora, no entanto, não surtiu efeito.
Janete também sofreu com a crítica televisiva, que foi impiedosa. Ainda assim, a novela conseguiu alcançar sucesso de público e registrou alto índice de audiência em seu último capítulo. A autora creditou o êxito final à fidelidade do público feminino a suas histórias e à personagem Leda Maria.


Curiosidades:
- Estimulado pelo sucesso de seu personagem, Mário Gomes acabou se lançando como cantor. Uma das músicas de seu disco, Chiclete e cabochard, acabou sendo incluída na trilha sonora da novela. Na trama, a carreira de Dino afunda e ele termina como cantor de circo. Na vida real, o ator também não foi adiante com a investida fonográfica.

- Duas vidas marcou a estreia de Christiane Torloni em novelas.
- A atriz Isabel Ribeiro, conceituada em teatro – mas com esporádicas participações em novelas –, ganhou projeção nacional por conta da personagem Sônia.


- Janete Clair concluiu a novela em 151 capítulos, mas um afastamento temporário de Francisco Cuoco, por problemas de saúde, obrigou a direção a esticar o roteiro original, que acabou totalizando 154 capítulos.

- Duas vidas lançou moda. O colar de contas brancas usado por Dino virou febre entre o público.
Contracenando com esses atores, estavam, entre outros, Neuza Amaral, Elza Gomes, Flávio Migliaccio, Sadi Cabral, Arlete Salles, Luiz Gustavo, Christiane Torloni, Cecil Thiré, Ruth de Souza, Ana Ariel, Laura Soveral, Glória Pires, Isolda Cresta, Myrian Rios e Carla Poyart. 
do Nostalgia da Tv

Novas de Insensato Coração

Fábio Assunção explicou o motivo de seu afastamento de "Insensato Coração" através de um comunicado à imprensa. O ator, que faria um vilão na nova trama das oito da TV Globo, anunciou oficialmente sua saída do elenco nesta segunda-feira, 29.

"Percebi que ainda não é o momento para enfrentar o ritmo intenso de uma novela das oito. Passei os últimos dois anos cuidando da minha saúde, dia a dia fazendo minhas escolhas e uma delas a de não colocar em risco o êxito do que venho construindo, e nem o andamento e a organização da novela e dos meus colegas. Com o apoio total da TV Globo e da equipe de autores e diretores, me afasto de 'Insensato Coração', que certamente será um grande sucesso. Obrigada a todos e o meu desejo sincero de que o público se apaixone por essa trama maravilhosa", disse Fábio.

O ator ainda garantiu que seu afastamento nada tem a ver com os motivos anteriores, que o levaram a deixar "Negócio da China": "Estou bem, vivendo um momento muito especial. Neste ano gravei a minissérie 'Dalva e Herivelto', fiz o filme 'Bellini e o Demônio', várias participações em seriados da Globo, a exposição fotográfica 'Ponte dos Arcos', com imagens de Conservatória, no Rio, e de quebra, recebi um presente da minha mulher, Karina, uma futura menina".
Substituto
Segundo o "Diário de São Paulo", um dos cotados para substituir Fábio no papel do vilão Leonardo em "Insensato Coração" seria Gabriel Braga Nunes
Fábio Assunção sai de Insensato Coração
Ator teria alegado incapacidade para trabalhar.
Ana Paula Arósio foi afastada da trama por não comparecer às gravações.
“Insensato coração”, próxima novela das oito, pode estar sofrendo sua segunda baixa. Depois do surpreendente afastamento de Ana Paula Arósio, quem pode ficar de fora da trama que sucederá “Passione” é Fábio Assunção.
Segundo a coluna “Telenotícias” do jornal “O Dia”, o ator teria faltado às gravações de estúdio realizadas no Projac, no Rio, nos últimos dias 25 e 27 de novembro – quinta-feira e sábado, respectivamente.
A ausência de Fábio Assunção pode levar ao seu afastamento de “Insensato coração”. O ator teria alegado incapacidade para trabalhar. Procurado pela coluna, o autor da trama Gilberto Braga, um dos autores da trama, disse: “Desculpe, mas eu não vou falar. Estamos em um momento de crise.”
Fábio Assunção faria Léo na próxima novela das oito da Rede Globo, Insensato Coração. O ambicioso filho mais velho de Raul (Antônio Fagundes) e Wanda (Natalia do Vale) é aquele tipo de homem capaz de tudo para subir na vida. Para ele, grandes conquistas não precisam ser realizadas com muito esforço e, por isso, procura sempre os meios mais ilícitos e fáceis para se dar bem.

O oportunista nunca se dedicou verdadeiramente a um trabalho, o que deixa seu pai bastante preocupado. Afinal, ele acaba se metendo em negócios furados e com pessoas nem um pouco confiáveis. No entanto, o rapaz só faz isso tudo para impressionar o patriarca da família, pois quer mostrar a ele que também é capaz de prosperar profissionalmente como o irmão mais novo, Pedro (Eriberto Leão), um rapaz honesto e trabalhador. Xodó da mãe, Léo vai ser capaz de envolver muita gente honesta em suas falcatruas e pela inveja que sente do irmão, será até capaz de roubar o grande amor dele.
O ator Tarcísio Meira gravou cenas da sua participação na novela Insensato Coração, trama que substituirá Passione no horário das 20h na Globo. 
As gravações aconteceram no bairro do Leme, na zona sul do Rio.
Meira fará apenas uma participação na nova trama de Gilberto Braga, na qual interpretará um viúvo rico.
Para filmar, ele usou uma roupa de caubói, com direito a chapéu, cinto com fivela grande e um colete com franjas.
Novela de Gilberto Braga e Ricardo Linhares
Direção de Dennis Carvalho
com
GLÓRIA PIRES – Norma Pimentel

ERIBERTO LEÃO – Pedro Mourão
PAOLA OLIVEIRA – Marina Drummond
FÁBIO ASSUNÇÃO – Leonardo Mourão
ANTÔNIO FAGUNDES – Raul Mourão
NATÁLIA DO VALE – Wanda Mourão
CAMILA PITANGA – Carol Miranda
LÁZARO RAMOS - André Gurgel
DEBORAH SECCO – Natalie Lamour
CÁSSIO GABUS MENDES – Kléber Damasceno
NATHÁLIA TIMBERG – Vitória Drummond
DEBORAH EVELYN – Eunice Alencar Machado
ISABELA GARCIA – Daisy Damasceno
HUGO CARVANA – Olegário Silveira
LOUISE CARDOSO – Sueli Aboim
HELENA FERNANDES – Gisele Fischer Amaral
HERSON CAPRI – Cortez
ANA LÚCIA TORRE – Tia Neném
LUIGI BARICELLI – Oscar Amaral
JOSÉ DE ABREU – Milton Castelani
FERNANDA PAES LEME – Irene
BETE MENDES – Zuleica Alencar
NORMA BLUM – Olga Mourão
MARIA CLARA GUEIROS – Bibi Castelani
MARCELO VALLE – Júlio Machado
RICARDO TOZZI – Douglas Batista
GUILHERME PIVA – Gabino Damasceno
ROSI CAMPOS – Haidê Batista
EDUARDO GALVÃO – Wagner Peixoto
LEONARDO MIGGIORIN – Rony Fragonard
THIAGO MARTINS – Vinícius Amaral
JONATAS FARO – Rafael Cortez
PALOMA BERNARDI – Alice Miranda
LEONARDO CARVALHO – Willian Sampaio
THAINÁ MULLER – Paula Cortez
CRISTINA GALVÃO – Jandira Mesquita

JULIANO CAZARRÉ – Ismael

PEDRO GARCIA – Nando Mourão

MARCOS DAMIGO – Hugo Abrantes

CARLA LAMARCA – Célia

VITOR NOVELLO – Serginho Amaral
SANDRO XIMENEZ – Lucas

DANIEL MARQUES – Zé Paulo Assis

POLIANA ALEIXO – Olívia Damasceno

RODRIGO ANDRADDE – Eduardo Aboim

GIOVANNA ROXO – Cecília Machado

BRUNA LINZMEYER – Leila
ROBERTA RODRIGUES – Fabíola
MARIA HELENA PADER – Lídia
RITA PORTO – Zulmira
NILDO PARENTE – Dorival

EDSON FIESCHI – Nelio
WENDEL BENDELACK – Chicão
ANTÔNIO FRAGOSO – Isidoro
Participação Especial:
TARCÍSIO MEIRA – Teodoro Amaral
CRISTIANA OLIVEIRA – Araci Laranjeira
FERNANDA MACHADO – Luciana
JOSÉ WILKER – Humberto
TUCA ANDRADA – Jonas
RICARDO PEREIRA – Henrique
ANA BEATRIZ NOGUEIRA - Clarice
GUILHERME LEME
ANA CARBATTI
MILTON GONÇALVES
ANDRÉ BARROS
LARISSA QUEIROZ
NÉLSON DINIZ
LEANDRO LIMA
BRUNO TORRES
EDGAR AMORIM
MARIA PADILHA
LAVÍNIA VLASAK

Tuca Andrada faz uma participação em Insensato Coração, próxima novela das oito da Rede Globo. O ator interpreta Jonas, um homem que quer se vingar da família de Vitória (Nathália Timberg).

No primeiro capítulo da trama, Jonas observa as netas da matriarca: Marina (Paola Oliveira) e Bibi (Maria Clara Gueiros). Descontrolado, ele pretende mostrar sua indignação atingindo as maiores riquezas da matriarca: sua família.

Herson Capri vive um banqueiro, marido da personagem de Ana Beatriz Nogueira.
Herson Capri é um ator consagrado e de longa estrada, mas será a primeira vez que o ator participa de uma trama escrita por Gilberto Braga.

Giovanna Lancelotti e Bruna Linzmeyer são os novos rostos da próxima novela das oito. As atrizes já estão em Florianópolis, em Santa Catarina, gravando Insensato Coração, trama escrita por Gilberto Braga e Ricardo Linhares com estreia prevista para 17 de janeiro. Elas vivem as irmãs Cecília e Leila, filhas dos personagens vividos por Deborah Evelyn e Marcelo Valle.
Carismática e apaixonada por moda, Leila - a personagem de Bruna - vai se envolver com o mulherengo André, vivido por Lázaro Ramos. Já Cecília, praticante de wakeboard, viverá um triângulo amoroso com Rafa e Vinícius, interpretados por Jonatas Faro e Thiago Martins respectivamente.
Os marmanjos já encantados com os olhos verdes de Bruna não precisam esperar até janeiro para conferir o trabalho da moça. Bruna, de 17 anos, fará sua estreia antes na TV, em Afinal, o que querem as mulheres?, minissérie de Luiz Fernando Carvalho com lançamento previsto em 11 de novembro.
Paola Oliveira e Maria Clara Gueiros em cenas no Aeroporto Internacional do Galeão - Tom Jobim, no Rio de Janeiro. Na sequência, dirigida por Dennis Carvalho, a personagem de Paola, chamada Marina, volta de viagem e é recebida pela prima, Bibi, vivida por Maria Clara Gueiros.
Camila Pitanga e Lázaro Ramos na Barra da Tijuca, cenas da próxima novela das oito, Insensato Coração. A atriz - que cortou os cabelos para a nova personagem - será Carol, uma jovem executiva que vai se relacionar com André, um designer de sucesso vivido por Lázaro.
Adilson Lucas/. Ag News
Deborah Secco em "Insensato Coração" com microshortinho que deixava parte de seu bumbum à mostra na terça-feira, 23. A atriz vive Nathalie L'Amour, uma ex-participante de reality show, na próxima novela das oito. Para isso, ela alongou o cabelo e adotou um tom bem loiro nos fios, além de pegar pesado na malhação.

Novela "Pecado Capital" (75)

Novela "Pecado Capital (75)

No dia 24 de novembro de 1975 às 20 horas,a Rede Globo levava ao ar o primeiro capítulo da primeira versão da novela "Pecado Capital".

Produzida em pouco tempo para substituir a versão censurada de "Roque Santeiro", Pecado capital acabou se tornando um dos maiores sucessos do horário das 20h. A autora Janete Clair acrescentou ao seu estilo um pouco do realismo social e do universo suburbano que Dias Gomes usara em "Bandeira 2" (1971).

A novela discutia valores humanos e sociais a partir do triângulo amoroso composto por um taxista às voltas com um dilema ético; um industrial rico, mas solitário; e uma jovem ingênua, porém ambiciosa.
Lucinha (Betty Faria) e Carlão (Francisco Cuoco), dois pontos do triângulo amoroso protagonista da novela.
Trama/ Personagens:
José Carlos Moreno, o Carlão (Francisco Cuoco), é um chofer de táxi machista e truculento, mas boa-praça e amado pelos vizinhos do bairro onde mora, no subúrbio. Trabalha durante o dia para sustentar seu pai, Raimundo (Gilberto Martinho), que tem problemas cardíacos. Carlão está noivo de Lucinha (Betty Faria), com quem tem uma relação apaixonada, mas tumultuada por brigas e ciúme. Sua vida muda depois que assaltantes de banco em fuga esquecem uma mala com o dinheiro roubado no banco de trás do seu táxi .
Dividido entre o receio de ser acusado de cúmplice dos assaltantes se tentar devolver o dinheiro, e os escrúpulos em usá-lo para resolver seus problemas pessoais, Carlão passa a viver sob constante drama de consciência. Depois que seu pai é internado em estado grave, ele usa parte do dinheiro para dar conta das despesas médicas, mas logo em seguida jura não tocar mais nele. A situação do taxista piora quando Eunice (Rosamaria Murtinho), que era amante de um dos assaltantes e também estava no táxi no dia do assalto, descobre que ele ficou com o dinheiro e passa a chantageá-lo.

Eunice(Rosamaria Murtinho).
Lucinha também mora no subúrbio com a mãe Alzir (Ilva Nino), o pai Orestes (Germano Filho) e a irmã Emilene (Elizângela), com quem trabalha como tecelã na fábrica Centauro. Embora esteja sempre de bom-humor, no fundo se ressente da pobreza da família e sonha em conseguir melhorar de vida. A oportunidade aparece quando ela é descoberta, durante o trabalho, por Nélio Porto Rico (Dennis Carvalho), responsável pela publicidade da Centauro, que está às voltas com o lançamento da nova coleção primavera-verão da fábrica. Ele fica impressionado com a beleza da moça e a convida para ser a estrela da campanha publicitária.


Lucinha (Betty Faria).

Mesmo temendo contrariar o ciumento Carlão, Lucinha acaba aceitando a proposta e posa para a campanha, chamando a atenção de Salviano Lisboa (Lima Duarte), dono da Centauro e de mais uma cadeia de lojas. É um chefe justo, porém excessivamente rigoroso com seus funcionários, que fingem amá-lo quando, na verdade, o temem. Viúvo, muito rico e solitário, tem dificuldades para se relacionar afetivamente com as mulheres e com os filhos: Vitória (Theresa Amayo), Vinícius (Marco Nanini), Vicente (Luiz Armando Queiroz), Vilma (Débora Duarte), Válter (João Carlos Barroso) e Virgílio (Lauro Góes).
Lucinha prospera na carreira de modelo e passa a ser disputada por Salviano e Carlão. O jeito rude e o ciúme excessivo do taxista acabam colaborando para que, mesmo apaixonada, ela termine o noivado. Carlão acaba se envolvendo com Eunice, e os dois se casam. Lucinha começa a manter uma relação amorosa com Salviano. O relacionamento sofre a oposição dos filhos do empresário, que não aprovam a união do pai com uma mulher mais jovem e de outra classe social. A única a se colocar a favor de Salviano é a governanta Bá (Elza Gomes), que ajudou a criar os seus filhos e é uma espécie de confidente.
Vilma, a filha caçula de Salviano, apresenta sintomas de esquizofrenia e crises de agressividade abruptas que a impedem de se relacionar com os outros membros da família. O único que consegue lidar com a jovem é o seu psiquiatra, o doutor Percival Garcia (Milton Gonçalves). Negro, culto e bem-sucedido profissionalmente, o personagem representava uma tentativa de Janete Clair de chamar a atenção para a discriminação racial no Brasil.
A autora ensaiou o início de um romance entre doutor Percival e Vitória, a filha mais velha de Salviano, cujo casamento com o dominador Ernani (Dary Reys) estava terminando. Entretanto, o público reagiu mal, e a história entre os dois não aconteceu.

Vilma (Débora Duarte) e Dr. Percival (Milton Gonçalves).
Janete Clair também tocou no polêmico assunto do celibato religioso. O frei Virgílio (Lauro Góes), filho de Salviano que morava nos Estados Unidos, volta ao Brasil e se vê tentado a abandonar a vocação religiosa para levar adiante sua paixão pela fogosa Emilene, irmã de Lucinha. Dessa vez, os telespectadores aprovaram o casal, mas em vão. No fim da novela, o frei Virgílio se decidiu pela batina.
O sucesso profissional afasta Lucinha cada vez mais da realidade de Carlão. Ela começa a se sofisticar e a se envolver de verdade com Salviano. Ainda apaixonado, e louco de ciúmes, Carlão volta atrás na sua decisão de não usar o dinheiro do assalto e decide provar à ex-namorada que é capaz de competir com Salviano. Assim, ele compra uma frota de táxis e dá início a sua ascensão social como empresário suburbano, dando emprego e ajudando moradores da comunidade.
O sucesso de Carlão é grande o bastante para chamar a atenção dos assaltantes de banco, que não haviam sido capazes de localizar o paradeiro do dinheiro desaparecido. No final da novela, os mesmos jornais que anunciavam o casamento de Lucinha e Salviano estampavam, em manchetes de primeira página, a notícia da morte de Carlão, assassinado por bandidos em um canteiro de obras do metrô do Rio de Janeiro.


Carlão(Francisco Cuoco): Final cruel?
A sinopse original de Janete Clair previa que Lucinha terminaria a novela com Carlão, que devolveria o dinheiro no fim da trama. Mas o diretor Daniel Filho conta que as várias modificações que sugeriu para o roteiro levaram a novela para outro rumo. Uma vez que o romance de Lucinha com Salviano havia indiscutivelmente ganhado força na história e conquistado o público, o diretor ponderou com a autora que seria um erro desfazer o casal. Ponderou, ainda, que um amor como o da tecelã e o taxista só deixaria de existir graças a uma tragédia. Para Daniel Filho, a condição para que Lucinha ficasse com Salviano era que Carlão morresse. Janete Clair não aceitou a sugestão de Daniel Filho de imediato. Ela achava que a morte do protagonista provocaria revolta no público, que hesitaria em se afeiçoar aos personagens em uma próxima novela. O diretor a convenceu a mudar de idéia argumentando que era preciso provar ao telespectador que a televisão era capaz de surpreendê-lo.

A cena em que Carlão é perseguido e morto pelos assaltantes no último capítulo de "Pecado Capital", caindo abraçado à mala com o dinheiro roubado, está entre os momentos antológicos da televisão brasileira.
Pela primeira vez, o herói de uma telenovela morria no fim da história. O desfecho causou, de fato, alguma revolta popular, mas também significou um marco na história da teledramaturgia.
Curiosidades sobre a novela:
1-Em algumas cenas, que não constavam do script, os personagens pobres da novela usavam os trens urbanos da cidade para se locomover, algo até então inédito em telenovelas.
2-Foram aproveitados alguns cenários que seriam usados na versão censurada de "Roque Santeiro", como o pátio interno da casa da Viúva Porcina que, pintado novamente com outras cores, tornou-se o pátio da casa de Salviano Lisboa.
3-Para criar um outdoor da Centauro, que levaria dois meses para ser produzido, a direção recorreu a um truque cinematográfico. A superposição de uma chapa de cristal a uma foto, e a abertura total da grande angular da câmera, criava a impressão de que a foto era um outdoor verdadeiro, do outro lado da rua.

Flagra:Daniel Filho e Francisco Cuoco em gravação de cenas.

4-Os figurinos também foram concebidos de acordo com o mesmo conceito de realismo brasileiro. O diretor Daniel Filho e a figurinista Marília Carneiro decidiram que não seriam confeccionadas roupas para os personagens. Em vez disso, Marília Carneiro saiu pelas ruas para barganhar com as pessoas. Trocava as roupas que elas estavam usando por peças novas em folha, e depois entregava aos atores as peças que reuniu. Francisco Cuoco completou a caracterização de Carlão engordando um pouco e deixando crescer bigode e costeletas.
5-Em 1975, estava tudo pronto para a exibição da primeira versão de "Roque Santeiro", quando, às vésperas da estréia, a censura vetou a novela, instaurando uma crise na programação da Rede Globo. Um compacto de "Selva de pedra" foi levado ao ar enquanto a emissora estudava sinopses que pudessem ser produzidas no curto prazo de três meses. Janete Clair, que já passara pela experiência de escrever uma sinopse em tempo recorde – "O Semideus" (1973) –, se ofereceu para repetir a façanha. Ela deixou "Bravo!", a novela das sete que escrevia na época, a cargo do colaborador Gilberto Braga e criou a sinopse de Pecado capital.
6-A maior parte do elenco de Pecado capital era formado por atores escalados para a primeira versão de Roque Santeiro. Janete Clair escreveu sua trama substituta pensando neles, porque temia que permanecessem muito tempo desempregados.
 
7-Primeira novela em cores transmitida às 20h, Pecado capital estreou com enorme audiência nas maiores cidades brasileiras, e é considerada por muitos a melhor novela de Janete Clair. Segundo Daniel Filho, foi esse o momento em que a Rede Globo começou a fazer uma telenovela realmente brasileira, com personagens próximos ao povo. O protagonista era um taxista bem carioca, machista, malandro, afastado da imagem estereotipada do galã e mais próximo da figura do anti-herói, falível e cheio de ambigüidades.
8-Francisco Cuoco aceitou o desafio de interpretar um tipo que em nada lembrava seus personagens anteriores. O ator conta que uma das chaves para a criação de Carlão era o andar malemolente, quase libidinoso, do personagem. A orientação de Daniel Filho era para que ele andasse em cena “como se estivesse subindo uma ladeira”.


9- Daniel Filho teve também que convencer Betty Faria – sua esposa, na época – a aceitar o papel de Lucinha. A atriz, que interpretaria a Viúva Porcina na primeira versão de Roque Santeiro, não se entusiasmou de imediato com o papel, julgando-o parecido demais com as mocinhas clássicas que marcaram a carreira de Regina Duarte. Ironicamente, Lucinha acabou sendo um dos seus maiores sucessos na televisão. E, mais ironicamente ainda, Regina Duarte foi a intérprete da Viúva Porcina quando Roque Santeiro foi finalmente levada ao ar, em 1985.
10-O amor de Salviano por Lucinha conquistou a simpatia do público, como ficou comprovado, na época, por uma pesquisa realizada em São Paulo que apontava o personagem de Lima Duarte como o mais popular entre os telespectadores. O ator conta que o grande apelo de Salviano era o seu jeito gentil, porém desastrado, de lidar com as mulheres, característica de um homem que havia se tornado viúvo depois de um casamento de 30 anos, e não sabia como reaprender o jogo da conquista e do amor.
11-Segundo Daniel Filho, Boni chegou a pedir que os primeiros capítulos da novela fossem regravados, porque achava que o público se assustaria com as doses maciças de realismo, especialmente na reconstituição do subúrbio carioca. Para a felicidade do diretor – desesperado ante a perspectiva de ter que refazer tudo –, Boni reconsiderou sua opinião e voltou atrás.
12-O chefe da equipe de produção, Moacyr Deriquém, também atuou na novela, como Ricardo, o marido de Eunice (Rosamaria Murtinho).
13- Milton Gonçalves conta que seu personagem, o doutor Percival, nasceu de um pedido seu à Janete Clair. O ator disse à autora que queria interpretar um personagem “de gravata”, ou seja, um negro que fosse bem colocado na escala social e profissional, tipo raro em telenovelas. Ele queria que o personagem servisse de exemplo para os negros, que não se sentiam representados no universo televisivo.
14-Elza Gomes interpretava Bá, a governanta de Salviano Lisboa, quando teve que se afastar da novela para passar por uma cirurgia no coração. A atriz Miriam Pires foi, então, incorporada ao elenco, no papel de uma prima que substituía Bá. Quando não se esperava mais que Elza Gomes retornasse à novela, a atriz se recuperou e voltou a gravar. Na cena do retorno de Bá os atores estavam tão emocionados que choraram de verdade.
15- Os atores e a equipe de produção de Pecado capital formaram um time de futebol, comandado pelo técnico Dary Reis, que fez o papel de Ernani, na novela. Entre os jogadores estavam Francisco Cuoco, Dennis Carvalho, Milton Gonçalves e João Carlos Barroso, além dos diretores Daniel Filho e Jardel Melo.
16-"Pecado Capital" fez tanto sucesso que se transformou em um dos assuntos do álbum de figurinhas Brasil Capital, que trazia cromos autocolantes com os personagens da novela.
17-A novela foi vendida para países como Bolívia, Peru, Guatemala e Espanha.
18-Em janeiro de 1982, a TV Gaúcha exibiu um compacto da novela, às 22h15.
19-Título Provisório:"O Medo".
20-Primeira novela de Gilson Moura, Lauro Góes e Sandra Barsotti.

Nélio Porto Rico(Dênis Carvalho) e Vilma(Débora Duarte).
21- Um remake de Pecado capital foi produzido e apresentado pela Rede Globo, em 1998, no horário das 18 horas. A novela era assinada por Glória Perez e tinha no elenco Carolina Ferraz, como Lucinha, e Eduardo Moscovis, como Carlão. Francisco Cuoco também atuou nessa segunda versão, desta vez, no papel de Salviano Lisboa. Vilma, personagem que havia sido de Débora Duarte, foi entregue à sua filha, Paloma Duarte.
22- A novela contou com as participações especiais de Betty Faria, como uma trocadora de ônibus que tem um breve diálogo com Lucinha, e Lima Duarte, como o bandido que mata Carlão no desfecho da trama.

"Trilha Sonora Nacional":

1."Moça" - Wando
2."Você Não Passa de Uma Mulher" - Martinho da Vila
3."El Dia En Que Me Quieras" - Pablo Hernandes y Sus Vocalistas
4."Se Você Pensa" - Moraes Moreira
5."Melô da Cuíca" - Azimuth
6."Pecado Capital" - Paulinho da Viola
7."Juventude Transviada" - Luiz Melodia
8."Meu Perdão" - Beth Carvalho
9."Que Besteira" - João Donato
10."O Boêmio" - Época de Ouro
11."Makaha" - Marcio Montarroyos
12."Não Sei" - Sônia Santos
13."Beijo Partido" - Nana Caymmi


"Trilha Sonora Internacional":
1."Like Roses" - Jack Jones
2."Zing Went The Strings Of My Heart (O Som da Massa)" - The Tramps
3."Il Maestro Di Violino" - Domenico Modugno
4."Atlantica" - Seventy-Five Music
5."Woman (You've Gotta Be There)" - Jae Mason
6."Never Let Me Say Goodbye" - Dave Ellis
7."You And Me Against The World" - Gladys Knight & The Pips
8."Happy" - Michael Jackson
9."Lady Bump" - Penny McLean
10."Love Me Like a Stranger" - The Lettermen
11."Words Of Love" - David D. Robinson
12."Ain't Nobody Straight In Los Angeles" - The Miracles
13."Happy Days" - Montezuma
14."Dolannes Melodie (Flûte de Pan)" - Jean Claude Borelly
“ABERTURA”:

"PECADO CAPITAL" - 1ª versão:
Autoria: Janete Clair
Direção: Daniel Filho
Período de exibição: 24/11/1975 – 05/07/1976
Horário: 20h
Nº de capítulos: 167
Fontes:
-Memória Globo
-Teledramaturgia
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"FIM"