segunda-feira, 8 de março de 2010

Novela Água Viva

Água Viva


"Menino do Rio/ Calor que provoca arrepio/ Dragão tatuado no braço/ Calção corpo aberto no espaço/ Coração, de eterno flerte/ Adoro ver-te.../ Menino vadio/ Tensão flutuante do Rio/ Eu canto prá Deus/ Proteger-te.../ O Havaí, seja aqui/ Tudo o que sonhares/ Todos os lugares/ As ondas dos mares/ Pois quando eu te vejo/ Eu desejo o teu desejo.../Menino do Rio/ Calor que provoca arrepio/ Toma esta canção/ Como um beijo..."

Quando a gente escuta a música “Menino do Rio”, de Caetano Veloso, cantada por Baby Consuelo, lembra logo da novela "Água Viva", de Gilberto Braga, exibida pela Rede Globo em 1980. Era uma novela charmosa recheada de bons personagens, que mostrava a vida da classe rica à beira-mar, que segurou o telespectador do primeiro ao último capítulo. Aliás, a novela incentivou a prática do esporte, assim como valorizava a cidade do Rio de Janeiro em vários aspectos.


A partir do capítulo 57 Gilberto Braga contou, a seu pedido, com a colaboração de Manoel Carlos que assumiu a co-autoria da trama.

A história girava em torno de Maria Helena (Isabela Garcia), uma pequena órfã que ligava todos os personagens. Atingindo a idade de ser transferida para outro orfanato, a menina se sentia insegura e



amedrontada. Era um mundo novo, completamente desconhecido, que a espera. Sua única amiga era Suely (Ângela Leal), uma assistente social, que descobriu o seu pai, Nelson (Reginaldo Faria), irmão do famoso cirurgião plástico Miguel Fragonard (Raul Cortez), que perdera a mulher Lucy (Tetê Medina), no início da trama, e era o pai de Sandra (Glória Pires), ele não aceitava o estilo de vida do irmão, um campeão de pesca bem relacionado que nunca trabalhou e que vivia de renda.

Enquanto isso, a jovem Janete não se conformava em ver os pais, Evaldo (Mauro Mendonça) e Wilma (Aracy Cardoso), sustentados pela tia solteirona Irene (Eloísa Mafalda).

Janete acabou se apaixonando por Marcos (Fábio Jr.), mas teria que enfrentar a ferrenha oposição da megera aristocrática Lourdes Mesquita (Beatriz Segall), a mamãe de Marcos, que desejava ver o filhinho casado com Sandra. A vilã, ainda por cima, detestava o genro Edir (Cláudio Cavalcanti), marido de sua filha Márcia (Natália do Valle), ocasionando diversos problemas conjugais.

Lourdes era bem diferente de Stella Simpson (Tônia Carrero), que era uma milionária divertida e excêntrica, bem relacionada e que escondia sua difícil situação financeira com muita alegria e era grande amiga de Miguel e de Jojô Besançon (Henriette Morrineau, em curta participação). Stella Simpson foi, para Tônia, o seu melhor papel em TV.

Curiosamente essa não era a personagem que inicialmente lhe estava destinado. Ela iria fazer Lourdes. Graças à troca, Beatriz Segall, fez sua primeira grande vilã na TV.

Havia ainda duas histórias de amor que chamaram a atenção: o romance entre Irene (Eloísa Mafalda) e Marciano (Francisco Dantas), duas pessoas solitárias que viviam um amor maduro.

Enquanto isso se desenrolava o drama de Lígia (Betty Faria), mulher rica e interesseira, casada com o banqueiro Heitor (Carlos Eduardo Dolabella), homem apaixonado por pesca em alto-mar e amigo de Nelson. Lígia passava por um período de crise com o marido e se apaixonou por Nelson, o oposto do tipo de homem que sempre procurou.

Era amor à primeira vista. Ela não sabia quem ele era na verdade, mas encantava-se com sua aparência de homem rico. Este, por sua vez, ocultava a sua real condição financeira.

Já Miguel, sem saber da ligação do seu irmão com Lígia, também se apaixonou por esta. E aí começa uma enorme disputa entre os dois. Nesse momento, a órfã volta a entrar em cena, já que Lígia descobre que a garota é filha de Nelson e resolve adotá-la sem ele saiba.

Porém, Miguel acabou assassinado, criando-se um mistério que ajudou a manter a audiência. Uma pergunta que parou o país naquele ano: quem matou Miguel Fragonard? A revelação seria dada no último capítulo. Foi Kleber, vivido por José Lewgoy.



Curiosidades:


- Gilberto Braga homenageou a grande novelista e mestra Janete Clair ao batizar a personagem de Lucélia Santos com o seu nome.


- Marcante a cena em que Lígia se fecha com Selma (Tâmara Taxman) num banheiro e lhe dá uma surra de tirar o fôlego.

- No capítulo 39, foi ao ar (implicitamente) o primeiro baseado da TV brasileira! O personagem Alfredo, vivido por Fernando Eiras, enrolou tranquilamente seu cigarro de maconha. No script o autor indicava apenas "Alfredo arrumando alguma coisa!".

- Enquanto as atrizes, Tônia Carrero, Glória Pires, Maria Zilda e Maria Padilha passaram por uma situação curiosa na história. Elas foram escaladas para uma externa, que teria como cenário o Posto 9, em Ipanema, as atrizes gravariam uma cena onde seus personagens simulavam um topless, utilizando apenas um par de adesivos para cobrirem os seios. Mas a reação dos curiosos de plantão ao ato foi repreender as atrizes: "Quando os curiosos perceberam que faríamos topless, nos expulsaram da praia jogando latas e areia", lembrou Maria Padilha. Resultado, a cena teve que ser gravada em São Conrado.

No elenco, entre outros, os atores Jacqueline Laurence, Kadu Moliterno, Arlete Salles, Jorge Fernando, Maria Padilha, Maria Zilda Bethlem, Clementino Kelé, Maria Helena Dias, Nildo Parente e Terezinha Sodré.

Gilberto Braga fala com exclusividade para a Revista da TV sobre os 30 anos de 'Dancin'days' e os 20 anos

lEm julho de 1978 entrava no ar "Dancin' days". O texto era de um certo Gilberto Braga, jovem autor que já fizera sucesso com folhetins das 18h, mas sonhava mais alto, e, com o respaldo de Janete Clair, teve sua sinopse aprovada para o horário nobre. Até hoje, quando se fala na influência das novelas sobre os costumes do país, o exemplo das meias de lurex está entre os primeiros a ser citado. Dez anos depois, em maio de 1988, o mesmo autor estreava a antológica "Vale tudo". Para comemorar o aniversário de 30 anos de "Dancin' days" e 20 de "Vale tudo", a Revista da TV convidou o próprio Gilberto para falar de suas lembranças. A seguir um pouco da História da teledramaturgia, contada por um de seus nomes mais importantes:

"Depois dos 'Casos especiais', estreei como autor de novelas em 'Corrida do ouro', de 1974, parceria com o Lauro César Muniz. No final, acho que ficou claro que eu tinha talento, mas ainda não havia motivo para me confiarem uma outra novela. Os tempos eram outros, não se trabalhava em equipe. Lauro só orientou o início e foi escrever a histórica 'Escalada'. Fui então encarregado, pelo Daniel Filho, de fazer uma adaptação de algum romance brasileiro do século 19, em 20 capítulos, para o horário das seis - um espaço ainda sem cara definida. Escolhi 'Helena', do Machado de Assis. Herval Rossano dirigiu, com grande empenho. O projeto deu tão certo que minha segunda novela das 18h, 'Senhora', baseada na obra de José de Alencar, já teve 60 capítulos. A terceira, 'Escrava Isaura', teve 100. Virei um escritor em quem podiam confiar.

Mas me incomodava muito o rótulo de 'adaptador'. Eu era freqüentemente apresentado como 'o melhor adaptador da Globo'. E queria ser chamado de 'autor'. Morria de inveja branca do Mário Prata, que tinha estourado com 'Estúpido cupido'. Queria que me encomendassem uma sinopse para as 19h. Mas meu orgulho me impedia de fazer a sugestão. Por isso, escolhi uma peça de teatro para o projeto seguinte das seis: 'Dona Xepa', do Pedro Bloch. A peça tem uma personagem fortíssima, mas não tem trama para mais do que três capítulos de novela. E eu poderia mostrar que sabia escrever diálogos na época atual. O plano deu tão certo que, com um mês de 'Dona Xepa' no ar, eu fui chamado não para a novela das sete, mas para a das oito. E fiz a sinopse de 'Dancin' days'.

Quem apostava em mim era Daniel Filho. Totalmente apoiado por Janete Clair e Dias Gomes. Mais tarde, eu soube que a insegurança da casa era tanta (e eles tinham toda razão!) que a novela só foi ao ar porque Janete, às escondidas, disse ao Boni (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho) que confiava tanto em mim que, caso eu fracassasse, ela continuaria a novela.

A sinopse não tinha um mínimo de originalidade. Um novelão à antiga, sobre duas irmãs disputando o amor de uma jovem

A sinopse não tinha um mínimo de originalidade. Um novelão à antiga, sobre duas irmãs disputando o amor de uma jovem, a partir do momento em que Júlia Matos (Sonia Braga) sai da prisão. Pra dar modernidade, Daniel sugeriu a discoteca, já que havia uma boate no primeiro tratamento da história. Eu detestava a maior parte das músicas do disco nacional. ('Outra vez' entrou mais tarde, não está no disco). Quando a novela terminou, e eu finalmente conheci o Guto Graça Melo (produtor musical), fui muito franco, perguntei por que o Guto tinha me arrumado uma trilha tão frágil. Ele foi tão franco quanto eu, e respondeu:

- Você leu a sua sinopse, Gilberto? Era horrível! Desculpa, mas quando eu li aquilo fiz o disco de qualquer maneira, certo de que iam tirar a novela do ar em dois meses.

Viramos grandes amigos, e na minha novela seguinte, 'Água viva', eu tive a chance de fazer a trilha nacional junto com o Guto. Acho, aliás, a melhor trilha nacional que já tivemos na emissora.

Escrevi 'Dancin' days' na maior ingenuidade, pureza, inocência, já que não tinha a menor técnica. A meu ver, o sucesso se deve, principalmente, a dois fatores. Primeiro, Daniel dirigiu muito bem, escalou (quase que sozinho) com grande coragem, trouxe um grupo da pesada, Marília Carneiro nos figurinos (e ela inventou a meia que ficou na História), Mário Monteiro nos cenários (ele adorava aquele clima de casa do Alberico/Mário Lago)... Além disso, é inegável que um jovem de 33 anos, que mal conhecia televisão mas era cinéfilo, numa história com toques autobiográficos - especialmente em relação à crônica do bairro de Copacabana, com as viúvas da Miguel Lemos e outra série de coisas -, trouxe um sopro de novidade ao horário.

Outro dia, revi cenas e fiquei muito impressionado com a força do diálogo e da maior parte dos atores. Sonia Braga e Joana Fomm contracenando (vocês podem ver no You Tube) é de uma força arrebatadora. Tudo deu certo, a novela estourou.

Mas, a partir do capítulo 60, a meu ver, ficou fraquíssima. Por mais que a Janete e o Daniel tentassem me ajudar, eu não conseguia manter o nível inicial. Como sou muito crítico, foi um padecimento levar a história até o capítulo 179. Quem achar que eu estou sendo exagerado, veja um capítulo de 'Dancin' days' depois do 60. A história não anda, não acontece praticamente nada. A novela vive de momentos emocionantes - com cenas longuíssimas - basicamente uma por capítulo. Boas cenas, sem dúvida. Mas o resto era encheção de lingüiça. O público, pelo visto, gostou bem mais do que eu.

Quando terminou, eu tinha virado o que chamamos hoje de uma celebridade. Boni me perguntou o que eu gostaria de fazer em seguida. Respondi sem pestanejar: nunca mais escrever novela e ir para a equipe de redatores do 'Malu mulher'. E desfiei aquele rosário de queixas de novelista estressado, eu não tinha tido vida alguma por todo aquele tempo, não gostava do resultado e coisa e tal. Boni, muito hábil, deu-me toda a razão, mas disse que tinha um pedido pessoal. Que, antes de abandonar o gênero, eu escrevesse 'só mais umazinha'. E eu fiz 'Água viva' logo em seguida.

Apesar da auto-crítica, confesso que certas coisas me marcaram em 'Dancin' days'. Vou tentar destacar algumas, com o risco de ser injusto e esquecer pontos importantes:

1. Sonia Braga, presidiária ou mulher badalada na noite carioca, um abuso de sensualidade e emoção.

2. Joana Fomm, talvez pela primeira vez uma representante da elite brasileira na História da TV, sua Yolanda Pratini é sublime. Casada com um José Lewgoy iluminado, acho que a elite se viu retratada na telinha, com verdade, pela primeira vez.

3. As cenas de amor entre Sonia e Antônio Fagundes. Palmas especialmente para ele, o papel do Cacá era fraquíssimo, fez sucesso graças à genialidade dele, Fagundes.

4. O clima da casa de Alberico (Mário Lago), muito de verdade, enternecedor.

5. O trio de amor jovem de Glória Pires, Lídia Brondi e Lauro Corona. Ah! Que saudades do Laurinho!

6. As viúvas da Miguel Lemos - também muito verdadeiras - e viva Gracinda Freire!

7. Yara Amaral iluminada, estreando em televisão.

8. Milton Moraes, até hoje um de meus atores preferidos, saudades infindas.

9. Ary Fontoura apaixonado pela Sonia. O rompimento dos dois é uma de minhas cenas preferidas da novela.

10. Reginaldo Faria estreando em televisão, aquele gato charmosérrimo. Não foi à toa que o escolhi para protagonizar 'Água viva'.

11. Beatriz Segall, também estreando na Globo, mais uma representante da elite bem mais real do que aquelas a que o espectador estava acostumado, ainda mais casada com um dos maiores atores que já conhecemos, o Cláudio Correa e Castro.

Daí em diante, minha carreira foi uma tentativa de continuar numa profissão com a qual eu tinha problemas gravíssimos. Não conseguia escrever novela e levar uma vida de gente

Daí em diante, minha carreira foi uma tentativa de continuar numa profissão com a qual eu tinha problemas gravíssimos. Não conseguia escrever novela e levar uma vida de gente.

Tentei a parceria com o Manoel Carlos a partir do capítulo 60 de 'Água viva'. O companheirismo dele aliviou meu padecimento, mas eu continuava querendo fazer alguma outra coisa.

Em 1988, como Aguinaldo Silva tinha sido brilhante em 'Roque Santeiro' e não se entendeu bem com o Dias Gomes, tive permissão da casa para chamá-lo para uma parceria. Resolvemos dar crédito também à maravilhosa Leonor Bassères, que já vinha escrevendo comigo desde 81. E 'Vale tudo' foi uma novela que deu certo. Muito por causa do entrosamento entre nós três. Trabalho dividido, mais chance de acertar. Havia uma temática, que - sem falsa modéstia - marca época até hoje, continua atualíssima, quem dera não continuasse. Personagens inesquecíveis, muitos hão de concordar. Mais uma vez, direção impecável do Dennis Carvalho e atores excepcionais. Pouca barriga. Que eu me lembre, um mês sem ação, dava para não envergonhar.

Pouco a pouco, acho que venci minha luta. Simplesmente aceitando que é impossível escrever novela e levar uma vida de gente. Passei a ter férias mais longas. E equipes cada vez mais numerosas. E acho que tanto tempo depois consegui finalmente fazer minha primeira novela sem barriga alguma, que foi 'Paraíso tropical', com o Ricardo Linhares e os outros cinco bambas. Boa comemoração para os 30 anos de 'Dancin' days' e os vinte de 'Vale tudo'."

Dancin´Days - A novela que marcou o final de uma década

"Sei que eu sou/ Bonita e gostosa/ E sei que você/Me olha me quer/ Eu sou uma fera/ De pele macia/ Cuidado garoto!/ Eu sou perigosa.../ Eu tenho um veneno/ No doce da boca/ Eu tenho um demônio/ Guardado no peito/ Eu tenho uma faca/ No brilho dos olhos/ Eu tenho uma louca/ Dentro de mim...
Sei que eu sou/ Bonita e gostosa/ E sei que você/ Me olha e me quer/ Eu sou uma fera/ De pele macia/ Cuidado garoto!/ Eu sou perigosa.../ Eu posso te dá/Um pouco de fogo/ Eu posso prender/ Você meu escravo/ Eu faço você/ Feliz e sem medo.../ Eu vou fazer/ Você ficar louco/ Muito louco/ Muito louco/ Dentro de mim.../ Sei que eu sou/Bonita e gostosa/ E sei que você/ Me olha e me quer/ Eu sou uma fera/ De pele macia/ Cuidado garoto!/ Eu sou perigosa...". Quem lembra desta música viveu a época da novela e com certeza dançou muito nas Discotecas sob os embalos de John Travolta, Donna Summer, Tina Charles, Glória Gaynor, Elton John, entre outros.

Hoje, é difícil imaginar o sucesso que essa novela alcançou em 1978, mas ela foi um verdadeiro marco da teledramaturgia. Como diz Fernanda Montenegro: “Hoje, não se constroem mais personagens, eles são apenas desenhados”. Essa é a mais pura das verdades.

Talvez seja por isso ficou mais difícil encontrar uma Chica Newman, uma Odete Roitman, um Salomão Hayala, uma Nazareth, uma Veridiana Albuquerque de Lima ou uma Yolanda Pratini.

Este último personagem foi criado por Gilberto Braga para ser a vilã da história de Dancin´Days e foi.

A partir de uma idéia de Janete Clair, chamada "A prisioneira", Gilberto Braga desenvolveu uma trama extremamente sedutora, levando a novela a se tornar um dos maiores sucessos da história da televisão brasileira - sucesso este não esperado nem mesmo pelo próprio autor da novela.

Faltava o segundo passo: o título da obra. Essa é uma obra muito difícil para todos os autores, pois ele tem que ser forte para atrair o gosto do público. Então, ele pegou o nome emprestado da famosa boate de Nelson Motta, a “Frenetic Dancing Days Discothèque” mantida pelo produtor musical durante quatro meses ano de 1976 no recém-inaugurado Shopping da Gávea. A discoteca foi incluída no enredo no rastro de seu sucesso no Rio de Janeiro, e do sucesso do filme "Os Embalos de Sábado à Noite", com John Travolta, que estava sendo exibido no Brasil na época.

Para o papel de protagonista, Júlia Mattos, o autor pensou primeiro em Betty Faria, mas ela estava para estrear o programa “Brasil Pandeiro”, mas Sônia Braga acabou ganhando o papel. Enquanto, às vésperas da estréia, várias cenas tiveram que ser regravadas, com Joana Fomm substituindo Norma Benguell, no papel da vilã Yolanda Pratini. Daniel Filho comenta o fato em seu livro "Antes que me Esqueçam": "O papel era muito bom, mas ela não conseguiu adaptar-se ao ritmo das gravações. Seus tempos de criação, suas propostas de interpretação não eram compatíveis com a novela. (...) As cenas saíam com dificuldade. A saída, então, foi substituí-la".

Antes de substituir Norma Benguell, Joana Fomm interpretava Neide, secretária de Celina (Beatriz Segall). Então, com a mudança, para o papel de Neide foi convocada a atriz Regina Viana.


Dancin´Days, exibida em 1978/79, às 20h, pela Rede Globo, contava a história de Júlia Mattos (Sônia Braga), uma ex-presidiária que lutava para recuperar seu lugar na sociedade. Ela fora acusada de ter atropelado e matado um guarda-noturno.

Por isso, foi condenada a 22 anos de prisão. Depois de cumprir metade da pena, conseguiu liberdade condicional e passou a lutar para livrar-se do estigma de ex-presidiária e, também, conquistar o amor da filha, Marisa (Glória Pires). A garota fora criada pela irmã de Júlia, Yolanda Pratini (Joana Fomm), e por seu marido, Horácio (José Lewgoy), casal bem posicionado na alta sociedade carioca.

A novela começa quando Júlia é posta em liberdade condicional. Depois de ter recebido de sua irmã, um cheque de 50 mil cruzeiros, com a exigência de não se aproximar da sua filha, Marisa. Mas Júlia se sente conformada com a idéia de que ela estava vive bem e era feliz.

Com a volta da irmã, Yolanda teme que a menina se afaste dela, e passa a criar dificuldades na aproximação entre mãe e filha. A disputa entre as irmãs é uma das tramas centras da história de Gilberto Braga.

Na tramas paralelas, corria a história da família do bem-sucedido advogado Franklin (Cláudio Corrêa e Castro), e sua mulher Celina (Beatriz Segall) e os dois filhos Beto (Lauro Corona, então estreando em novelas da Globo ) e Cacá (Antônio Fagundes). Os irmãos cruzam o caminho de Júlia, desencadeando outras intrigas. Beto era namorado de Marisa, e Cacá – o homem por quem Júlia acabou se apaixonando -, um diplomata desiludido com a profissão escolhida por influência de sua própria mãe. Júlia tenta separar sua filha de Beto, pois sabia que tudo não passava de uma armação de Yolanda, mas é presa novamente.

Depois de passado um tempo. Júlia se casa com Ubirajara (Ary Fontoura), um milionário. Os dois viajam pela Europa e, quando voltam, a ex-presidiária está completamente mudada, com novo visual e disposta a dar a volta por cima. A cena que marca a virada da personagem aconteceu no capítulo 79, quando foi inaugurada a discoteca de Hélio (Reginaldo Faria), a Frenetic Dancin´Days. Numa cena marcante, Júlia dá um show de dança na pista da discoteca, e todos ficam impressionados. A transformação da ex-presidiária em musa das discotecas mereceu inúmeros elogios.

Curiosidade: o personagem de Sônia Braga ditou moda, com suas roupas de cetim e meias soquetes de lurex, a novela virou coqueluche. As meias de lurex eram fosforescentes, listradas, coloridas, com sandálias de tiras e salto alto, e virou mania nacional. Ainda na onda do merchandising, a boneca Pepa, companheira inseparável de Carminha (Pepita Rodrigues), foi parar nas prateleiras das lojas. A fábrica vendeu 400 mil unidades. Ainda por causa do sucesso da novela, os vôos de asa-delta, praticados pelo personagem Beto (Lauro Corona), deixaram de ser um hobby apenas da Zona Sul carioca.

A personagem Áurea foi diretamente inspirada na própria mãe de Gilberto Braga, mas ao contrário desta e do previsto na sinopse inicial, não se suicidou: a magistral interpretação da atrizYara Amaral salvou-a, e foi o marido da personagem a acabar por morrer. A discoteca foi um dos cenários fixos da novela. Mas algumas cenas foram gravadas na discoteca Hippopotamus, no Rio de Janeiro.

Nessa virada na vida da protagonista marcou também uma nova fase da novela. Gilberto Braga mudou os ambientes onde se passava a história e mexeu na trama de diversos personagens: Yolanda se separou do marido; Celina, mãe de Cacá, morre e Marisa enfrenta dificuldades no casamento.

Outra história paralela envolvia a família de Alberico (Mário Lago, foi uma magistral e inesquecível interpretação deste grande ator), um homem de classe média requintado, típico morador de Copacabana, que vive das glórias do passado e conta com o auxílio da filha Carminha (Pepita Rodrigues) para resolver as dificuldades e os problemas domésticos.

Porém, uma das cenas de maior intensidade da novela foi sem dúvida a da briga entre Júlia e Yolanda no final, no salão do hotel Copacabana Palace. As duas irmãs se agridem fisicamente, puxam-se os cabelos, rolam pelo chão, numa cena que mistura ódio e amor. Em seguida se aproximam, se abraçam, choram e pedem perdão uma à outra. A atriz Joana Fomm conta que, durante a gravação, ela e Sônia Braga mesclavam suas emoções às das personagens, mesmo porque a briga coincidia com o fim da novela, e o elenco iria se dispensar. Além da reconciliação com a irmã, Júlia acaba se aproximando de Cacá, seu verdadeiro amor, e finalmente conquistando a amizade da filha.

O tema de abertura, “Dancing days” (“Abra suas asas/Solte suas feras/ Caia na gandaia/ Entre nessa festa.”), composta por Nelson Motta, foi gravada pelas Frenéticas. O sucesso da música e da novela provocou uma verdadeira onda de discotecas pelo Brasil. O disco da trilha sonora internacional vendeu quase um milhão de cópias. Cá entre nós, eram outros tempos, mas que foi uma época fantástica, para quem viveu isso foi.

Vejam a abertura da novela e confiram.

Enquanto Renato Pedrosa se consagrou como o mordomo mais querido e engraçado do Brasil. Sob a direção de Daniel Filho estavam também Milton Moraes (Jofre), Gracinda Freire (Alzira), Diana Morel (Anita) e Paulette. A novela marcou também a estréia de Reginaldo Farias na TV, como Hélio.

A novela foi reapresentada entre outubro e dezembro de 1982, às 22h.
E num compacto de uma hora e meia em 18/02/80, como atração do Festival 15 Anos (apresentação de Glória Pires).

Fonte de pesquisa: o livro de Daniel Filho, Antes que me Esqueçam, e o Dicionário da TV Globo.

Ciranda de Pedra - Eva Wilma, 20 Anos sem Dina Sfat

Ciranda de Pedra - Eva Wilma

A atriz Eva Wilma, em 1980, assinou contrato com a Rede Globo – no mesmo ano em que a Rede Tupi de Televisão encerrou suas atividades -, estreando na comédia “Plumas e paetês”. Depois passou à tragédia urbana em “Ciranda de pedra”, em que vivia uma vítima da sociedade, considerada louca. Outro show de interpretação. Quanto aos boatos de que ela não faria mais novelas, a atriz já desmentiu taxativamente.— No que depender de mim, claro, faço novelas, mas preciso me apaixonar pelo papel. Além disso, a Globo foi extremamente gentil comigo, emissora em que sempre fui muito bem tratada. Tenho com ela contrato de exclusividade até 2016. To voltando, começando pelo picadeiro (teatro) e espero voltar o quanto antes com meu trabalho à TV — declara Eva Wilma.Agora, a Rede Globo programou um remake de “Ciranda de Pedra”, para 2008. O elenco ainda não está definido, mas sabemos que teremos um bom texto pela frente.
Na versão anterior, exibida em 1981, o escritor Teixeira Filho, baseado no romance homônimo de Lygia Fagundes Telles, fez um belo e inesquecível trabalho, sob a direção de Herval Rossano.A história girava em torno do casal formado pelo Dr. Prado (Adriano Reys) e sua mulher Laura (Eva Wilma) que fizeram um casamento de desajuste.

É que ela tinha idéias modernas e dedica-se às artes, já o Doutor era um famoso jurista de comportamento tradicional.Portanto, Laura vivia oprimida pelo marido, sofria um grande trauma e chegou a ser internada como louca pelo seu próprio marido. Era dramalhão mesmo. Eva Wilma desenvolveu um sensível trabalho de interpretação ao viver a atormentada Laura. Para os cariocas, foi um presente ter a atriz nas nossas novelas. Muita gente só a conhecia do teatro e de algumas novelas que fez na Tupi, que não foram poucas. Afinal, ela foi a grande estrela das novelas da emissora paulista e só deixou as Associadas, como já dissemos, quando as portas foram lacradas.Enfim, o casal acabou se separando e a família acabou dividida: Prado ficou com as duas filhas mais velhas, Otávia (Priscila Camargo) e Bruna (Silvia Salgado), e Laura ficou com a filha caçula, Virgínia (Lucélia Santos).Para completar o drama da família: Laura, doente e com problemas econômicos, foi morar com seu médico neurologista, o Dr. Daniel (Armando Bógus), que acompanha seu caso já há alguns anos. Na verdade, ele era apaixonado por Laura e acredita que a doença de dela não era mental, mas sim física, e se empenha em sua recuperação.
Ela, por sua vez, escondia um segredo de todos: Virgínia na realidade era filha de Daniel.
Tanto o médico quando Dr. Prado desconfiavam disso, o que fez com que Daniel tivesse um carinho especial pela menina, e com que o Dr. Prado a trate-se com certa indiferença.Anos mais tarde, Virgínia, já uma moça, vai morar na mansão de Prado ao lado das irmãs e da áspera governanta Frau Herta (Norma Blum enfrentando todo tipo de hostilidade familiar e uma série de dificuldades para se adaptar. Para confortá-la, Virgínia teve o carinho de Luís Carlos (Roberto Pirillo), seu vizinho e namorado de infância.Mas o rapaz passou a disputá-la com Eduardo (Marcelo Picchi) - amigo de Virgínia na Vila Mariana, onde ela morava - completamente apaixonado por ela.
Essa novela foi sem sombra de dúvida, uma das melhores adaptações do horário das 18h, que inclusive conseguiu discutir temas difíceis, como: separação de casais, adultério, homossexualismo (ainda que nas entrelinhas).
Um primoroso trabalho de Teixeira que contava com excepcional produção - brilhante reconstituição da São Paulo dos anos 40.
Lucélia Santos mais uma vez repetia um bom trabalho. Adriano Reys esteve num papel sob medida para ele.
Porém, verdade seja dita, o grande destaque desta versão ficou mesmo com a atriz Norma Blum em um dos seus melhores momento na televisão, vivendo a intransigente governanta Frau Herta.
No elenco, também estavam: Neuza Amaral, Djenane Machado, Henriqueta Brieba, Manfreto Colassanti, Arthur Costa Filho, Edson Celulari, Paulo Ramos, Fábio Junqueira, Maria Helena Dias, José Augusto Branco, Ana Lúcia Torres, e Lupe Gigliotte, entre outros.Não podemos deixar de mencionar as participações especiais de
Fernando José, Lourdes Mayer e Ivan Mesquita.Abertura da novela em 1981
Novela bem produzida do horário das seis, da época em que as mocinhas eram atrizes como Lucélia Santos, Sílvia Salgado e Priscila Camargo, além das sensíveis interpretações de Norma Blum, como Frau Herta, e de Eva Wilma como Laura. Não era de se surpreender que a segunda versão fosse um fiasco. Ana Paula Arósio não conseguiu fazer de Laura uma personagem inesquecível como da primeira versão.
Engana-se quem acha que a novaCiranda de Pedra é mais uma ode aos anos 80. Aliás, o autor Alcides Nogueira insiste que esta versão nada tem a ver com aquela exibida em 1981 - que, só para avivar a memória dos saudosos, trazia no triângulo amoroso Eva Wilma (Laura), Adriano Reys (Natércio) e Armando Bogus (Daniel). "Não assisti à versão de Teixeira Filho, em 81, pois morava no exterior. Pelo que li, ele priorizou o aspecto social, mas eu vou para o psicológico", teoriza Nogueira.

No livro de Lygia Fagundes Telles e na antiga novela, a história se passa em 1947, mas a nova versão dará um salto de uma década. "Todo mundo fala dos 'Anos Dourados', só que eles foram um só: 1958. Por isso a trama toda se passa nesse ano."

Assim, os telespectadores acompanharão, por meio da novela, fatos como a construção de Brasília, a primeira vitória em Copa do Mundo, a Bossa Nova, o Cinema Novo e os teatros de Arena e Oficina.

Outra mudança foi a criação do núcleo classe média da Vila Mariana, como um contraponto do chique Jardim Europa. É lá que a comédia vai rolar, com o peruqueiro Seu Memé (José Rubens Chachá) e sua filha "coquete", Elzinha (Leandra Leal). "Há bastante humor, para contrabalançar as situações de tensão, rir é fundamental", diz o autor.

O neurologista Daniel, de Marcello Antony, também estará diferente, mais politicamente correto. No roteiro da novela, seu papel está descrito como "médico humanista", pois ele atenderá comunidades carentes.

A Laura de Eva Wilma, em 1981, morria em decorrência de um tumor. "Agora, Laura morre de causa emocional, de tristeza. Sabe flor que fenece?"

Diante de tantas modificações, restam enfim algumas semelhanças. Criado por Teixeira Filho, o jovem engenheiro Eduardo (Bruno Gagliasso), que em 81 era vivido por Marcelo Picchi, volta à trama. E a atriz Mônica Torres voltará a
Ciranda, agora como Julieta, a melhor amiga de Laura (em 81, ela interpretou a tenista Letícia).

"Fora isso, os personagens do livro de Lygia estão todos lá, mas reagindo de uma maneira mais contundente, com as pequenas tragédias humanas, tão bem enfocadas por Lygia, costuradas pelas as relações familiares."

A Gata Comeu


(No centro da foto, Dirce Migliaccio e, do lado direito, Luiz Carlos Arutim)
“A Barba Azul” (TV Tupi, 1974) ou “A gata comeu” (TV Globo, 1985, às 18h), qual destas duas novelas você acha que fez mais sucesso?

Ambas, é lógico, pois foram escritas pela grande mestra Ivani Ribeiro.

Ela escreveu para a TV Globo um remake de sua novela “A barba azul”, que fora exibida pela TV Tupi, mas desta vez tendo Christiane Torloni e Nuno Leal Maia como protagonistas: Jô e Fábio. Os personagens que foram de Eva Wilma e Carlos Zara na primeira versão na Tupi. A trama era simples, mas muito bem amarrada e divertida.

Jô Penteado (Christiane Torloni), apesar de já ter ficado noiva várias vezes, sempre acabava o noivado com seus pretendentes, o que lhe rende a alcunha curiosa de “Lucrecia Borgia”, que acabou ficando famosa por fazer dos pretendentes gato e sapato. Era uma mulher geniosa, mimada e sonâmbula. Rafael (Eduardo Tornaghi) foi seu oitavo noivo e todos esperavam que, enfim, acontecesse o casamento.
Só que Jô, mais uma vez, percebendo que não ama o noivo, terminou mais um noivado. Jô sofre por nunca ter se apaixonado verdadeiramente e não conhecer o amor.
Até que ela se apaixonou loucamente pelo professor Fábio (Nuno Leal Maia), viúvo e pai de dois filhos. Os dois se conheceram ao irem juntos para uma excursão. A lancha que os transportava quebra e eles acabaram ficando numa ilha deserta por dois meses, sendo dados como mortos. O romance de Jô e Fábio foi atrapalhado por Gláucia (Bia Seidl), a invejosa irmã de Jô, e por Paula, até então noiva de Fábio (Fátima Freire), mas que era apaixonada pelo professor.
Alguns destaques precisam ser mostrados, pois são muito curiosos:
Um grande sucesso do horário das 18h. O grande trunfo da novela foi ter mostrado nos primeiros doze capítulos boa parte do elenco perdido em uma ilha deserta, nos arredores de Angra dos Reis. O sucesso foi tanto, que nos doze últimos capítulos a mesma turma se reunia novamente em Angra. Na ocasião, Jô Penteado, recuperaria a memória voltando à ilha. A química entre Jô Penteado, personagem de Torloni e Fábio, personagem de Nuno era perfeita.
A novela era apontada como a maior audiência do horário das seis desde sua criação (em 1975) até 1993, quando outra novela da mesma autora “Mulheres de Areia” alcançou estrondosos 55 pontos.

"A Gata Comeu" foi à primeira novela a ser apresentada no “Vale a Pena Ver de Novo“, por duas vezes. A primeira, às 13h30 (1989), com 110 capítulos, e a segunda, às 14h20 (2001), em 100 capítulos. Ambas com grande sucesso.
Christine protagonizaria outra regravação da obra de Ivani: “A Viagem”, em 1994. Sua personagem, Dinah, na versão original foi interpretada também por Eva Wilma, assim como em “A Barba Azul”.
Destaque para a dupla formada por Cláudio Correa e Castro e Marilu Bueno, em ótima parceria como o casal Gugu e Tetê, bem como a excelente Dirce Migliaccio e o inesquecível Luiz Carlos Arutin, como Conceição e Oscar.
Enquanto a atriz Fátima Freire viveu um de seus melhores papéis na TV como a mimada e temperamental Paula. A atriz revela que até hoje é abordada nas ruas em função da personagem.

Foi à primeira novela da atriz Deborah Evelyn. Antes, ela havia participado de minisséries.
A personagem Dona Biloca, mãe de Tetê, seria interpretada pela inesquecível atriz e comediante Ema D Ávila, que chegou inclusive a gravar alguns capítulos, mas faleceu às vesperas da estreia. Assim, a produção escalou para o papel a atriz Norma Geraldy, que acabava de sair da novela “Vereda Tropical”.
O cantor Ronnie Von apareceu na novela em participação especial no capítulo em que Jô reúne numa festa seus seis ex-noivos. Ele era um deles.
Novela de Ivani Ribeiro, adaptada por Marilu Saldanha.

Na direção dos 161 capítulos esteve Herval Rossano e José Carlos Pieri.
No elenco também estavam os atores Mauro Mendonça, José Mayer, Diana Morel, Monah Delacy, Laerte Morrone, Anilza Leoni, Nina de Pádua, Roberto Pirilo, Mayara Magri, Rogério Fróes, Jayme Periard, Aracy Cardoso, Germano Filho, Juan Daniel, Reynaldo Gonzaga e grande elenco.

20 Anos sem Dina Sfat

(Regina Duarte e Dina, numa cena de "Selva de Pedra")
Guerreira, Dina Sfat, foi uma atriz batalhadora, polêmica, dinâmica, carismática e enigmática. Este mês, esta completando 20 anos que ela nos deixou.

(Ney Latorraca e Dina). Como uma verdadeira fera dos palcos não teve medo de enfrentar polêmicas contra os gays, quando declarou que os teatros estavam sendo tomados por eles e não restava mais espaço para ninguém. Na época, realmente, ouve um "boom" de peças com temáticas gays, como “A Noite dos Leopardos”, “Blue Jeans”, entre tantas outras. Mas ela logo tratou de se explicar e os mais inteligentes, entenderam o que, na sua impulsividade, havia dito. Dina era batalhadora, uma verdadeira Dama do Teatro, seu espaço era sagrado.
Dina Kutner de Souza, mais conhecida como Dina Sfat, nasceu em São Paulo, em 28 de outubro de 1938 e faleceu no Rio de Janeiro, em 20 de março de 1989, portanto, foi uma atriz brasileira.

Filha de judeus poloneses, Dina sempre quis ser artista. Estreou nos palcos em 1962 em um pequeno papel no espetáculo "Antígone América", dirigida por Antonio Abujamra. Daí pulou para o teatro amador e foi parar no Teatro de Arena, onde estreou profissionalmente vivendo a personagem Manuela de "Os Fuzis da Senhora Carrar", de Bertolt Brecht.
(Foto: Dina e Cuoco) A atriz se transformou em uma grata revelação dos palcos e mudou seu nome artístico para Dina Sfat, homenageando a cidade natal de sua mãe.
Participou de espetáculos importantes na década de 60 em São Paulo e conquistou o Prêmio Governador do Estado de melhor atriz por seu desempenho em "Arena Conta Zumbi" em 1965, um musical de Guarnieri e Augusto Boal. Foi para o Rio de Janeiro e estreou nos palcos de um teatro na peça "O Rei da Cidade".

Em 1966, estreia no cinema em "Corpo Ardente, de Walter Hugo Khouri e, no cinema, se consagra, em 1969, vivendo a guerrilheira Cy de "Macunaíma", filme premiado de Joaquim Pedro de Andrade, ao lado do marido, o ator Paulo José que ela conheceu nos tempos do Teatro de Arena.
Entrou para a televisão no final da década de 60,
(Foto: Jardel Filho e Dina, em "Verão Vermelho") estreando na novela "Verão Vermelho", de Dias Gomes. Detalhe: estava grávida de sua primeira filha.
Destacou-se em papéis de enorme carga dramática principalmente nas telenovelas de Janete Clair, como "Selva de Pedra", "Fogo Sobre Terra", “O Homem que Deve Morrer”, "O Astro" e, a última da autora, "Eu

(Foto: Francisco Cuoco e Dina, em "Eu Prometo)
Prometo", mas também brilhou em outras como "Assim na Terra Como no Céu", "Gabriela" e "Os Ossos do Barão", “Os Gigantes”, “Saramandaia”, “Gabriela”, “Os Acorrentados”, “A Intrusa”, “Os Fantoches”, “Ciúme” e “O Amor Tem Cara de Mulher...”. Também atuou nas minisséries “Rabo de Saia” e “Avenida Paulista”.
Posou nua para revista Playboy em janeiro de 1982, num ensaio secundário.
Foi casada por 17 anos com Paulo José, com quem teve três filhas: Isabel ou Bel Kutner, que também é atriz, Ana, que também se aventurou na carreira e Clara.

Descobriu o câncer, inicialmente no seio, em 1986, mas não deixou de trabalhar, mesmo em tratamento. Já com a doença, viajou para a União Soviética e participou de um documentário sobre o país e os primeiros passos da Perestroika; escreveu um livro, publicado em 1988, um pouco antes da sua morte, sobre sua vida e a luta contra o câncer, chamado "Dina Sfat - Palmas prá que te Quero", junto com a jornalista Mara Caballero, falecida jornalista de O Globo, e fez a novela "Bebê a Bordo", seu último trabalho na TV.
Seu último filme foi "O Judeu" que só estreou em circuito depois da morte da atriz.



"Ninho da Serpente"

A novela “Ninho da Serpente”, de Jorge Andrade, exibida pela TV Bandeirante, em 1982, às 20h. Na direção estiveram Henrique Martins e Antonio Abujamra.
Todas as cenas se passavam basicamente dentro da mansão da família Taques Penteado. Que era uma ilustre família paulista. O milionário patriarca Cândido, que vivia isolado do resto da família, no terceiro andar da casa, morre e deixa vultosa fortuna. O jogo de interesses entre os herdeiros desencadeia a novela, no ambiente totalmente dominado pela figura de Guilhermina Taques Penteado (Cleyde Yáconis – magnífica interpretação da atriz), irmã de Cândido.

Cada um dos personagens demonstra maior ou menor interesse em apresentar escrúpulos na obtenção de uma parte da fortuna. Uns não mediam esforços, ao passo que outros faziam uso de técnicas mais delicadas, sutis, como aproximar-se de Guilhermina, por exemplo. Sem explicação aparente, o testamento revela Mateus (Kito Junqueira), um simples enfermeiro, que cuidou do milionário até sua morte, como um dos principais beneficiados com a fortuna. Ainda, há o romance entre Mateus e Lídia (Eliane Giardini), neta de Guilhermina, portanto herdeira, mostrando o preconceito social. Aliás, esta foi uma das marcas deste grande escritor.
Jorge Andrade gostava de abordando o tema da decadência da aristocracia paulista, um retrato cruel da alta sociedade em luta pelo poder e pela riqueza. Os personagens também seguiam essa linha, dando oportunidade para os atores de suas obras criarem tipos marcantes.
A própria Guilhermina Taques Penteado era o protótipo da grã-fina falida, mas que não perdia a posse. Suas filhas eram Noêmia (Beatriz Segall), Lídia (Elaine Cristina), Norma (Imara Reis) e de Jerusa (Márcia de Windsor), sem falar de Maria Clara Taques Penteado (Carmem Silva). Juca de Oliveira era o Dr. Almeida Prado que se envolvia com Noêmia.
A atriz Márcia de Windsor foi vítima de um enfarto agudo no quarto que ocupava no Hotel San Raphael, em São Paulo. Ela estava na capital paulista para gravar os últimos capítulos da novela.
Algumas curiosidades sobre esta novela:

- O título “Ninho da Serpente” vem da casa onde se situava a maior parte da história, e dos conflitos em torno da herança de Cândido.
- Depois de três novelas - duas na TV Globo e uma na TV Tupi -, o autor continuava com sua temática de decadência da aristocracia paulista. Essa foi sua última telenovela, tendo falecido em 1984.
- Ninho da Serpente foi um grande sucesso da Bandeirante, tendo conquistado índices de audiência muito bons.
- A história começou a ser exibida às 21h15, mas cerca de um mês depois da estréia mudou para as 20h.
- Já o personagem Cândido não apareceu para o público até o final da trama.
- Um momento muito triste: a atriz Márcia de Windsor morreu durante a última semana de exibição da novela, em agosto de 1982. Ela já havia gravado toda sua participação na história.
- Outro ponto curioso a ser notado no elenco é a presença da atriz Denise Stoklos, que muito raramente atua em televisão, preferindo dedicar-se ao teatro. Ela vivia Oriana, uma performática governanta, que se trancava em seus aposentos e pintava um quadro, tipo O Retrato de Dorian Gray, retratando a casa de seus patrões.
- Paulo César Grande era Karl, o neto de Guilhermina que se apaixonava pela empregadinha Marinalda (Mayara Magri), revoltando a avó, preconceituosa e elitista. Os dois se casam, e na noite de núpcias, Marinalda é cruelmente assassinada a mando da megera avó de Karl, pelo jardineiro Joaquim (Antônio Petrin) que na realidade era amante da poderosa Guilhermina.
- Consuelo, a personagem de Selma Egrei, era filha de Guilhermina com o humilde jardineiro. Esta era uma maneira de o autor Jorge Andrade relatar a podridão da dita "alta sociedade".
- A trama de ”Ninho da Serpente” foi reapresentada pela própria TV Bandeirante pela manhã, às 11h15, de 25 de março a 6 de setembro de 1991.
No elenco ainda estavam: Othon Bastos, Laura Cardoso, Lúcia Mello, Sônia Oiticica, Emílio di Biasi, Jairo Arco e Flexa, Geny Prado, Júlia Lemmertz, Flávio Guarnieri, Giuseppe Oristânio, Hugo Della Santa, Nydia Lícia, entre outros.
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Veja você mesmo como os textos eram profundos na obra de Jorge Andrade e com a interpretação de Cleyde Yáconis: